A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
— Também não queria que você pegasse…
— Também não queria que você pegasse — disse o pistoleiro com
uma curiosa delicadeza — , mas acho que nenhum de nós tem
alternativa. Vai haver tiroteio.
— Vai?
— Vai. — O pistoleiro olhou serenamente para Eddie. — Um bom
tiroteio, eu acho.
18
Balazar fora ficando cada vez mais nervoso. Tempo demais. Estavam lá dentro há muito tempo e tudo parecia silencioso demais. À distância, tal-
vez no edifício vizinho, pôde ouvir pessoas gritando umas com as outras e duas fortes detonações que pareciam fogos de artifício... Mas quando se está no negócio de Balazar, fogos de artifício não são a primeira coisa em
que o sujeito pensa.
Um grito. Fora um grito?
Não importa. Você não tem nada a ver com o que está acontecendo no
prédio vizinho. Está virando uma velha.
Mesmo assim, os indícios não eram bons. Nada bons.
— Jack? — gritou para a porta fechada do banheiro.
Não houve resposta.
Balazar abriu a primeira gaveta à esquerda da escrivaninha e pegou o
revólver. Não era um Colt Cobra, suficientemente compacto para se ajus-tar num coldre vertical; era um Magnum 357.
— Cimi! — gritou. — Quero você aqui!
Bateu a gaveta. A torre de cartas caiu fazendo um barulho suave,
suspirante. Balazar nem deu conta.
Cimi Dretto, com todos os seus 110 quilos, encheu a porta. Quando viu
que o Patrão havia pegado o revólver na gaveta, tirou imediatamente o seu de debaixo de um paletó xadrez, um paletó tão berrante que poderia causar quei-maduras na retina de quem cometesse o erro de olhá-lo por muito tempo.
— Quero Cláudio e Tricks — disse Balazar. — Traga-os depressa.
O garoto está aprontando alguma.
— Temos um problema — disse Cimi.
Os olhos de Balazar pularam da porta do banheiro para Cimi.