A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
Os policiais trocaram um olhar. O homem…
Os policiais trocaram um olhar. O homem de quem o Terno Azul estava
falando não era Clements, mas um elemento quase do mesmo nível:
"Johnny Gordo" Holden, cunhado de Clements. E ter feito algo tão intei-
ramente estúpido quanto furtar a carteira de um homem seria...
...seria algo inteiramente à altura de um rato de rua como Johnny, con-
cluiu a mente de O'Mearah, obrigando-o a pôr a mão na boca para tapar
uma súbita risadinha.
— Talvez fosse melhor nos contar exatamente o que houve — disse
Delevan. — Pode começar dizendo seu nome.
Novamente a resposta do homem soou um tanto deslocada aos ouvi-
dos de O'Mearah, um tanto fora do comum. Naquela cidade, onde às
vezes parecia que setenta por cento da população acreditava que vá se foder
era a maneira americana de dizer tenha um bom dia, achou que o sujeito ia
dizer algo do tipo Ei, aquele filho-da-puta roubou minha carteira! Será que
vai até lá pegá-la ou vamos ficar parados aqui, fazendo um programinha de
auditório com perguntas e respostas?
Mas havia o terno de ótima qualidade, as unhas feitas. Talvez um
cara acostumado a lidar com aquela besteirada da alta burocracia. Para
falar a verdade, isso pouco importava a George O'Mearah. A idéia de
apanhar Johnny Gordo Holden e usá-lo como fio condutor para Arnold
Clements deixava 0'Mearah com água na boca. Por um instante de verti-
gem, chegou a se imaginar usando Holden para pegar Clements e Clements
para pegar um dos caras realmente grandes — a sumidade Balazar, por
exemplo, ou talvez Ginelli. Aquilo não parecia demasiado fantasioso. Não
era absolutamente demasiado fantasioso.
— Meu nome é Jack Mort — disse o homem.
Delevan havia tirado um bloquinho amassado do bolso de trás.
— Endereço?
A ligeira pausa. Como a de uma máquina, pensou O'Mearah outra
vez. Um momento de silêncio, depois um clique pouco audível.
— Park Avenue South, 409.
Delevan anotou.