A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Stephen King · Capítulo 174 de 274

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A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

— Como está se sentindo? — perguntou…

— Como está se sentindo? — perguntou em voz baixa. A Dama

ainda dormia em sua teia de cordas, embora ocasionalmente estremecesse,

murmurando e gemendo.

— Bem.

Eddie lançou-lhe um olhar de avaliação.

— Não parece de todo bem.

— Obrigado pelo interesse, Eddie — disse secamente o pistoleiro. — Você está tremendo.

— Vai passar.

A Dama deu um tranco e tornou a murmurar... dessa vez com uma

palavra que foi quase compreensível. Talvez fosse Oxford.

— Meu Deus, acho terrível vê-la amarrada desse jeito — murmurou

Eddie. — Como um bezerro bravo num curral.

— Logo ela vai acordar. Talvez então possamos soltá-la. Era a maneira mais lógica de um ou outro manifestar em voz alta a

esperança de que, quando a mulher na cadeira abrisse os olhos, fossem agraci-ados pelo olhar calmo, mesmo que ligeiramente confuso, de Odetta Holmes.

Quinze minutos mais tarde, quando os primeiros raios do sol desce-

ram sobre as colinas, aqueles olhos de fato se abriram — mas o que os homens viram não foi o olhar calmo de Odetta Holmes, mas o esgazeado louco de Detta Walker.

— Quantas vez me estupraram enquanto eu tava apagada? —

perguntou ela. — Minha boceta parece toda lisa e sebosa, como se alguém

tivesse entrado lá cum as duas velinhas brancas que cês putos otários

chamam de paus.

Roland suspirou.

— Bem, vamos em frente — disse ele, ficando de pé com uma careta. — Não vou a lugar nenhum com tu, puto — cuspiu Detta. — Ah, vai sim — disse Eddie. — Sinto tremendamente, minha que-

rida, mas vai.

— Onde acha que eu vou?

Bem — disse Eddie —, o que estava atrás da Porta Número Um era

quase terrível e o que estava atrás da Porta Número Dois era ainda pior,

e agora, em vez de irmos embora como pessoas sensatas, vamos em

frente, dar uma olhada na Porta Número Três. Do jeito que estão as

coisas, é claro, podemos encontrar alguma coisa tipo Godzilla, ou Ghidra,

monstro das Três Cabeças, mas estou otimista. Ainda estou esperando

que a gente encontre janelas de aço inox.

— Eu não vou.

— É claro que vai — disse Eddie, indo para trás da cadeira. Ela

começou de novo a se debater, mas os nós que o pistoleiro fizera eram

resistentes e os movimentos só serviam para apertá-los ainda mais. Bem

depressa ela percebeu isso e parou. A Dama era cheia de veneno, mas

estava longe de ser estúpida. E olhou pelo ombro com um sorriso que fez

Eddie recuar um pouco. Ele considerou aquilo a mais maléfica expressão

que já vira num rosto humano.

— Bem, talvez eu vá, de uma certa maneira... — disse ela —, mas

não tão longe quanto tu acha, garoto branco. E claro, só Deus sabe, não

tão rápido quanto espera.

— O que está querendo dizer?

De novo aquele olhar malicioso, sobre os ombros.

— Tu vai descobrir, garoto branco. — Os olhos dela, loucos mas

convincentes, se deslocaram brevemente para o pistoleiro. — E tu aí vai

descobrir antes dele.

Eddie pôs as mãos em volta dos guidons de bicicleta que brotavam

de duas alças metálicas atrás da cadeira de rodas e começou de novo a

rumar para o norte, deixando agora para trás, enquanto subiam pela praia

aparentemente interminável, não apenas pegadas, mas os dois sulcos para-

lelos da cadeira da Dama.

 

O dia foi um pesadelo.

É difícil calcular a distância quando a pessoa viaja por uma paisagem

que varia muito pouco, mas Eddie sabia que o avanço deles estava agora

submetido à velocidade de um rastejar.

E sabia quem era o responsável por isso.

Ah, sabia.

Tu vai descobrir antes dele, dissera Detta para o pistoleiro, mas com

cerca de meia hora de avanço os dois descobriram ao mesmo tempo.