A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
— Conheço. — Eddie conservava a cabeça…
— Conheço. — Eddie conservava a cabeça baixa. Sua voz soava
suficientemente clara, mas se erguesse os olhos Odetta veria que ele
estava chorando.
— Então me ajude. Mas você precisa olhar.
— Está bem.
Eddie enxugou as lágrimas com a palma de uma das mãos e levantou
os olhos para ver a estrela.
— Luz da estrela... — ela se virou para Eddie e ele acompanhou: —
Brilho da estrela...
A mão dela se estendeu, tateando, e Eddie a pegou, juntando o branco
de pomba de sua mão ao delicioso marrom de chocolate da dela.
— É a primeira estrela que estou vendo esta noite — os dois falaram
solenemente, em uníssono, menino e menina brincando, não homem e
mulher como seriam mais tarde, quando a escuridão estivesse completa,
ela o chamasse perguntando se estava dormindo, ele dissesse que não e ela perguntasse se não poderia abraçá-la, pois estava frio. — Querer é poder,
querer é vencer...
Um olhou para o outro e Eddie viu que havia lágrimas escorrendo
pelo rosto dela. As dele também voltaram, e Eddie deixou-as cair aberta-
mente. Não eram uma vergonha, mas um incrível alívio.
Um sorriu para o outro.
— Faça o seu pedido esta noite — disse Eddie e pensou: Por favor,
quero ficar para sempre com ela.
— Faça o seu pedido esta noite — ela fez eco e pensou: Se eu tiver de
morrer neste estranho lugar, por favor que não seja doloroso demais e que este
bom rapaz esteja ao meu lado.
— Desculpe por eu ter chorado — disse Odetta, enxugando os olhos.
— Não costumo reagir assim, mas este foi...
— Um dia muito cansativo — Eddie acabou por ela.
— Sim. E você precisa comer, Eddie.
— Você também.
— Só espero que a comida não torne a me fazer enjoar.
Eddie sorriu.
— Acho que não vai acontecer.