A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
Olha para Roland e um acesso de…
Olha para Roland e um acesso de tremores vara seu corpo — uma
coisa tão febril que ele quase deixa cair os pedaços de carne do prato de
metal. Finalmente a coisa passa.
— Coma, porra.
O pistoleiro come. A carne é mais do que passável; a carne é delicio-
sa. Consegue ingerir três pedados e depois tudo se mistura numa nova
embaralhada
esforço para falar, mas só consegue sussurrar. A orelha de Eddie está pres-
sionada contra seus lábios, embora ela às vezes fuja quando Eddie atraves-
sa um de seus espasmos. Torna a repetir:
— Norte. Subindo... subindo a praia.
— Como sabe?
— Apenas sei — sussurra ele.
— Você está maluco — diz Eddie olhando para ele.
O pistoleiro sorri e começa a perder os sentidos, mas Eddie lhe dá
uma bordoada, bate com força. Os olhos azuis de Roland se abrem de
supetão e por um momento parecem tão vivos e eletrizados que Eddie tem uma sensação desagradável. Então os lábios dele recuam num sorriso que é praticamente um esgar.
— Certo, pode parar de falar — diz Eddie —, mas primeiro tem de
tomar sua droga. Está na hora. Pelo menos é o que diz o sol. Acho. Nunca
fui escoteiro, por isso não tenho certeza. Mas acho que está perto o bastante do alto do céu. Abra bem a boca, Roland. Abra bem para o Dr. Eddie, seu seqüestrador de merda.
O pistoleiro abre a boca como um bebê se aproximando do seio.
Eddie põe dois comprimidos e depois derrama água fresca lá dentro. Roland pensa que a água deve vir de algum riacho num morrote, em algum ponto
a leste. Pode ser venenosa; Eddie não seria capaz de distinguir entre água suja e água potável. Por outro lado, Eddie parece bem e realmente não há alternativa, há? Não.
O pistoleiro engole, tosse e quase se engasga enquanto Eddie o con-
templa com ar indiferente.
Roland estende a mão.