A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
Jack saiu do banheiro.
— Não há droga aqui dentro — disse e seus olhos fixos avaliaram
Eddie. — E se estava pensando na janela, pode esquecer. Há um gradeado
reforçado de aço.
— Não estava pensando na janela e a droga está lá — disse Eddie
calmamente. — O problema é que você não sabe procurar.
— Desculpe, Sr. Balazar — disse Andolini —, mas acho que este
patife está indo um pouco longe demais.
Balazar examinou Eddie como se nem tivesse ouvido Andolini. Esta-
va muito absorto em seus pensamentos.
Pensava em mágicos tirando coelhos de cartolas.
Você manda alguém da platéia ver se a cartola não está vazia. E qual
é a outra coisa que sempre acontece? E que ninguém olha com atenção
dentro da cartola a não ser o mágico, é claro. E o que o garotão tinha dito?
Vou entrar em seu banheiro. Vou entrar sozinho lá.
Saber como se faz um truque de mágica era uma coisa que geralmente
Balazar não teria vontade de saber; saber estragava a diversão.
Geralmente.
Aquele, no entanto, era um truque que não se incomodaria de estragar.
— Está bem — disse a Eddie. — Se a coisa está lá, vá buscá-la. Mas
como está. De bunda de fora.
— Está bom — disse Eddie, e começou a se dirigir para a porta do
banheiro.
— Mas não sozinho — falou Balazar. Eddie parou de imediato, o
corpo se enrijecendo como se Balazar tivesse atirado nele com um arpão
invisível. Isso agradou ao coração de Balazar. Pela primeira vez algo não
estava saindo conforme os planos do garoto.
— Jack vai com você.
— Não — disse Eddie de imediato. — Não foi isso que...
— Eddie — disse Balazar em voz baixa —, não me diga não. Ê uma
coisa que nunca se faz.