A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
Só que, Eddie não parava de alertar…
Só que, Eddie não parava de alertar a si mesmo, ela está dizendo bestei-
ra e você tem de convencê-la a acreditar no que vê. Para o próprio bem dela.
— Posso ter levado um golpe na cabeça — disse a mulher. — Há
notórios assassinos de machadinha e porrete em Oxford Town.
Oxford Town.
Aquilo produzia um leve eco de reconhecimento no fundo da mente
de Eddie. Ela pronunciou as palavras com um ritmo que ele, por alguma razão, associou a Henry... a Henry e a fraldas molhadas. Por quê? O quê? Agora não importava.
— Está tentando me dizer — falou Eddie — que isto é algum tipo de
sonho que está tendo durante um período de inconsciência?
— Ou de coma — disse ela. — E não precisa me olhar como se eu
estivesse falando uma coisa absurda, porque não estou. Olhe aqui.
Ela entre abriu cuidadosamente o cabelo do lado esquerdo e Eddie
percebeu que não usava o cabelo penteado para o lado porque apreciasse o
estilo. O velho ferimento embaixo da onda de cabelo exibia uma feia cica-
triz, não roxa, mas de um cinza esbranquiçado.
— Acho que andou enfrentando alguns problemas sérios — disse
ele.
Ela deu de ombros com impaciência.
— Alguns problemas sérios, mas uma boa dose de boa vida — disse
ela. — Talvez a coisa tenha se equilibrado. Quis lhe mostrar isto porque
passei três semanas em coma quando tinha cinco anos. Eu sonhava muito
então. Não consigo me lembrar de como eram os sonhos, mas lembro de
minha mãe dizendo que eles sabiam que eu não iria morrer porque
continuei falando e parece que não parava de falar, embora ela dissesse
que era
muito difícil entender qualquer palavra. Mas eu ainda me lembro que os
sonhos eram muito nítidos.
Fez uma pausa, olhando em volta.
— Tão nítido quanto este lugar parece ser. E quanto você parece ser,
Eddie.
Quando ela disse o nome de Eddie, os braços dele formigaram. Ah,
estava ficando apaixonado sim. Apaixonado mesmo.
— E ele. — Ela estremeceu. — Ele parece a coisa mais nítida de
todas.