A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
— É. — Eddie achou que sua…
— É. — Eddie achou que sua própria voz estava ficando parecida
com uma transmissão radiofônica de sinal muito distante. Ela acha que
comeu diariamente, mas sempre vomitando tudo. Por isso é que
estaria tão fraca. Deus Todo-Poderoso. — É, você realmente tentava não
vomitar.
— Tem um gosto... — Foi difícil entender essas palavras porque a
boca de Odetta estava cheia. — Tem um gosto muito bom! — Ela riu. O
som foi agradável, meigo. — Vou resistir! Vou conseguir me alimentar!
Sei disso! Sinto isso!
— Mas só não exagere — advertiu ele, passando-lhe um dos cantis.
— Não está acostumada. Todo esse... — Ele engoliu e houve um nítido
(nítido pelo menos para ele) estalo em sua garganta. — Todo esse vômito.
— Sim. Sim.
— Preciso conversar alguns minutos com o Roland.
— Tudo bem.
Mas antes que ele se afastasse, Odetta tornou a agarrar sua mão.
— Obrigada, Eddie. Obrigada por ser tão paciente. E agradeça a ele.
— Hesitou com um ar de seriedade. — Agradeça a ele e não diga
que ele me assusta.
— Não vou dizer — respondeu Eddie, indo para junto do pistoleiro.
Mesmo quando não tentava girar as rodas da cadeira por conta própria,
Odetta ajudava. Navegava com a precisão de uma mulher que passara
anos pilotando uma cadeira de rodas num mundo que ainda levaria muito
tempo para reconhecer o direito dos deficientes físicos como ela.
— Esquerda — gritava ela, e Eddie virava para a esquerda, se
esquivando de uma rocha projetada do chão de cascalho como uma
presa estragada. Sem a ajuda de Odetta, poderia ter visto aquilo... ou
não.
— Direita — ela gritava, e Eddie pegava a direita, escapando por um
triz de uma das (cada vez mais raras) valas na areia.
Finalmente pararam e Eddie se deitou no chão, ofegante.
— Durma — disse Odetta. — Uma hora. Eu acordo você.
Eddie olhou para ela.