A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
— Não sei. Talvez o único modo…
— Não sei. Talvez o único modo de descobrir fosse dando o tiro. — Bem, o que você acha que ia acontecer?
— Acho que a porta ia sumir.
Eddie assentiu. Era o que também achava. Puf! Sumindo como má-
gica! Num instante ela está lá, amigão, e no outro se foi. No fundo não era
diferente do que acontecia se o projecionista de um cinema levasse seis
tiros e um deles acertasse o projetor, certo?
Se você acertava o projetor, o filme parava.
Eddie não queria que o filme parasse.
Eddie não queria ter gastado seu dinheiro à toa.
— Você pode passar sozinho — disse Eddie devagar.
— Sim.
— Até certo ponto.
— Sim.
— Você entrou na cabeça dela. Assim como entrou na minha.
— Sim.
— Assim você pode dar um giro no meu mundo, mas é só.
Roland não disse nada. Dar um giro era uma das expressões que Eddie
às vezes usava e que ele não compreendia exatamente... mas cujo sentido
geral captava.
— Mas você também pode ir em seu próprio corpo. Como no bar de
Balazar. — Embora falando alto, Eddie estava na realidade falando
consigo mesmo. — Só que precisaria de mim para fazer isso, não é?
— Sim.
— Então me leve com você.
O pistoleiro abriu a boca, mas Eddie já estava se adiantando. — Não agora, não precisa ser agora — disse. — Sei que causaria tu-
multo ou alguma coisa pior se... aparecêssemos de repente, saindo do ar. —
Riu um tanto amargamente. — Seria como ver um mágico tirando coelhos
de uma cartola, só que sem cartola. Vamos esperar até ela estar sozinha e...
— Não.
— Vou voltar com você — disse Eddie. — Juro que vou, Roland.
Quero dizer, sei que tem uma tarefa a cumprir e sei que sou uma parte de
você. Sei que salvou minha pele na Alfândega, mas acho que salvei a sua
no bar de Balazar... é verdade ou não?