A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
Os pássaros saíram voando quando ele se…
Os pássaros saíram voando quando ele se sentou. Dessa vez não haviam tido coragem de chegar tão perto. Ele estava com dor, tonto, febril... mas
era impressionante como mesmo tão pouco alimento conseguira revivê-lo.
Olhou para a moeda que trouxera consigo. Parecia de prata, mas o
tom avermelhado na borda sugeria que era feita de algum metal menos
nobre. De um lado havia o perfil de um homem cuja expressão sugeria nobreza, coragem, obstinação. O cabelo, crespo na cabeça e espetado na
nuca, indicava também um pouco de vaidade. Virou a moeda do outro lado e viu uma coisa tão espantosa que o fez soltar uma exclamação com voz trêmula e rouca.
Atrás havia uma águia, o ornamento que havia decorado seu próprio
pavilhão, naqueles nebulosos dias em que ainda havia reinos e pavilhões a simbolizá-los.
O tempo é curto. Volte. Rápido.
Mas ele se demorou mais um instante, pensando. Era mais difícil
pensar dentro da sua cabeça — a do prisioneiro não era de forma alguma
clara, mas, pelo menos periodicamente, parecia um recipiente mais areja-do que a sua.
Transportar a moeda em ambos os sentidos era só metade do experi-
mento, certo?
Ele tirou uma das balas de seu cinturão e segurou-a juntamente com
a moeda.
Roland voltou através da porta.
A moeda do prisioneiro ainda estava lá, firmemente guardada dentro da mão fechada no bolso. Não precisava tomar a frente para saber se a bala
viera também; sabia que ela não fizera a viagem.
Tomou a frente de qualquer modo, rapidamente, pois havia uma coi-
sa que precisava saber. Precisava ver.
Virou-se, como se quisesse ajustar a pequena coisa de papel nas cos-
tas de sua poltrona (por todos os deuses conhecidos, havia papel por toda