A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
Eddie se aprumou rapidamente na poltrona, como…
Eddie se aprumou rapidamente na poltrona, como se tivesse levado um
tapa. Aquela voz não era de Henry, mas lembrava muito a de Henry quando
os dois eram apenas uma dupla de garotos criados num bairro popular. Henry
era oito anos mais velho do que ele, e sua irmã do meio agora era apenas um
fantasma da memória; Selina fora atropelada e morta por um carro quando
Eddie tinha dois anos e Henry dez. Aquele áspero tom de comando brotava
sempre que Henry o via fazendo alguma coisa que pudesse fazê-lo ocupar uma
caixa de pinho antes do tempo... como acontecera com Selina.
Que merda de porra está acontecendo aqui?
Você não está ouvindo vozes que não existem, retornou a voz dentro de
sua cabeça. Não, não era a voz de Henry — era mais velha, mais seca... mais
forte. Mas era como a voz de Henry... e era impossível não acreditar nela.
Essa ê a primeira coisa. Você não está ficando maluco. Eu SOU outra pessoa.
Isto é telepatia?
Eddie estava vagamente consciente de que seu rosto permanecia com-
pletamente sem expressão. Pensou que, naquelas circunstâncias, aquilo
poderia lhe dar condições de ser indicado para o Oscar de Melhor Ator.
Olhou pela janela e viu o avião estacionando na área que a Delta ocupava
no terminal de desembarque do aeroporto internacional de Kennedy.
Não conheço essa palavra. Mas sei que aquelas mulheres do exército sa-
bem que você está carregando...
Houve uma pausa. Uma sensação — cuja estranheza escapava às pa-
lavras — de dedos fantasmagóricos folheando seu cérebro como se ele
fosse um fichário vivo.
... heroína ou cocaína. Não sei exatamente qual, mas acho... acho que
deve ser cocaína porque está carregando aquela que você não toma para com-
prar aquela que você toma.
— Que mulheres do exército? — murmurou Eddie em voz baixa,
completamente inconsciente de que havia começado a falar sozinho. —
De que diabo você está falan...
Mais uma vez a sensação de ser esbofeteado... tão real que ele achou
que a cabeça retiniu.
Feche a boca, seu imbecil!
Tudo bem, tudo bem! Nossa!
Agora de novo a sensação de dedos folheando.