A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Stephen King · Capítulo 213 de 274

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A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Então Roland fez uma coisa que deixou…

Então Roland fez uma coisa que deixou Eddie envergonhado de suas

dúvidas sobre a amizade do outro (ainda que isto não abalasse minimamente

a decisão que tomara): puxou o tambor do revólver com um habilidoso

movimento do pulso, tirou todas as balas e substituiu-as por outras me-

lhores, retiradas das presilhas mais próximas da fivela do cinturão. E vol-

tou a encaixar o tambor no lugar com outro golpe do pulso.

— Agora não dá tempo para limpar a arma — disse ele —, mas isso

já não tem importância, calculo eu. Agora segure e segure bem, procure

não sujar esta arma mais do que ela já está suja. No meu mundo é bem

difícil encontrar uma arma que funcione.

Roland jogou o revólver pela distância que havia entre os dois. Em

sua ansiedade, Eddie quase deixou realmente o revólver cair, mas logo o

enfiava em segurança no cós da calça.

O pistoleiro saiu da cadeira de rodas (quase caindo quando ela deslizou

para trás sob a fraqueza de suas mãos) e cambaleou até a porta. Agarrou a

maçaneta; nas mãos dele ela girou facilmente. Eddie não pôde ver a cena,

pois ficou atrás da porta que se abria, mas conseguiu ouvir o barulho

abafado do trânsito.

Roland tornou a olhar para Eddie, com os olhos azuis muito salientes

brilhando num rosto de uma palidez fantasmagórica.

 

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De seu esconderijo, Detta acompanhou tudo isso com olhos avidamente

brilhantes.

 

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— Não esqueça o que eu falei, Eddie — disse o pistoleiro com voz rouca,

dando um passo à frente. Seu corpo desabou na passagem do umbral,

como se tivesse encontrado um muro de pedra em vez de um espaço

vazio.

Eddie teve um ímpeto quase incontrolável de ir para a frente da

porta, olhar por ela e ver para onde - e para que quando - ela conduzia.

Em vez disso, virou para o lado e tornou a esquadrinhar as colinas, a

mão na coronha do revólver.Vou lhe dizer pela última vez.

De repente, esquadrinhando os áridos morros marrons, Eddie ficou

assustado.

Fique de olho.

Nada lá no alto estava se movendo.

Pelo menos nada que pudesse ver. Ainda assim ele a sentia.

Não Odetta; o pistoleiro tinha acertado em cheio.

Era Detta que ele sentia.

Engoliu em seco e ouviu um estalo na garganta.

De olho.

Sim. Mas nunca em sua vida sentira uma necessidade tão brutal de

dormir. O sono não demoraria a levá-lo; se ele não se entregasse volunta-riamente a ele, o sono iria seqüestrá-lo.

E quando ele estivesse dormindo, Detta iria chegar.

Detta.

Tentando resistir ao cansaço, Eddie contemplou os morros imóveis

com olhos que pareciam inchados, pesados, e se perguntou quanto tempo Roland iria demorar para voltar com o terceiro: O Empurrador, fosse lá

quem fosse, ele ou ela.

— Odetta? — chamou sem muita esperança.

Só o silêncio respondeu, e para Eddie o tempo da espera começou.