A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
Então Roland fez uma coisa que deixou…
Então Roland fez uma coisa que deixou Eddie envergonhado de suas
dúvidas sobre a amizade do outro (ainda que isto não abalasse minimamente
a decisão que tomara): puxou o tambor do revólver com um habilidoso
movimento do pulso, tirou todas as balas e substituiu-as por outras me-
lhores, retiradas das presilhas mais próximas da fivela do cinturão. E vol-
tou a encaixar o tambor no lugar com outro golpe do pulso.
— Agora não dá tempo para limpar a arma — disse ele —, mas isso
já não tem importância, calculo eu. Agora segure e segure bem, procure
não sujar esta arma mais do que ela já está suja. No meu mundo é bem
difícil encontrar uma arma que funcione.
Roland jogou o revólver pela distância que havia entre os dois. Em
sua ansiedade, Eddie quase deixou realmente o revólver cair, mas logo o
enfiava em segurança no cós da calça.
O pistoleiro saiu da cadeira de rodas (quase caindo quando ela deslizou
para trás sob a fraqueza de suas mãos) e cambaleou até a porta. Agarrou a
maçaneta; nas mãos dele ela girou facilmente. Eddie não pôde ver a cena,
pois ficou atrás da porta que se abria, mas conseguiu ouvir o barulho
abafado do trânsito.
Roland tornou a olhar para Eddie, com os olhos azuis muito salientes
brilhando num rosto de uma palidez fantasmagórica.
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De seu esconderijo, Detta acompanhou tudo isso com olhos avidamente
brilhantes.
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— Não esqueça o que eu falei, Eddie — disse o pistoleiro com voz rouca,
dando um passo à frente. Seu corpo desabou na passagem do umbral,
como se tivesse encontrado um muro de pedra em vez de um espaço
vazio.
Eddie teve um ímpeto quase incontrolável de ir para a frente da
porta, olhar por ela e ver para onde - e para que quando - ela conduzia.
Em vez disso, virou para o lado e tornou a esquadrinhar as colinas, a
mão na coronha do revólver.Vou lhe dizer pela última vez.
De repente, esquadrinhando os áridos morros marrons, Eddie ficou
assustado.
Fique de olho.
Nada lá no alto estava se movendo.
Pelo menos nada que pudesse ver. Ainda assim ele a sentia.
Não Odetta; o pistoleiro tinha acertado em cheio.
Era Detta que ele sentia.
Engoliu em seco e ouviu um estalo na garganta.
De olho.
Sim. Mas nunca em sua vida sentira uma necessidade tão brutal de
dormir. O sono não demoraria a levá-lo; se ele não se entregasse volunta-riamente a ele, o sono iria seqüestrá-lo.
E quando ele estivesse dormindo, Detta iria chegar.
Detta.
Tentando resistir ao cansaço, Eddie contemplou os morros imóveis
com olhos que pareciam inchados, pesados, e se perguntou quanto tempo Roland iria demorar para voltar com o terceiro: O Empurrador, fosse lá
quem fosse, ele ou ela.
— Odetta? — chamou sem muita esperança.
Só o silêncio respondeu, e para Eddie o tempo da espera começou.