A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
— Qual foi a guerra? — Roland sussurrou.
— Que guerra?
— Aquela onde você perdeu seu senso de dignidade e objetivo na
vida?
Eddie recua como se Roland tivesse estendido a mão e lhe dado um
tapa.
— Vou buscar um pouco d'água — ele se limita a dizer. — Fique de
olho nas nojentas, que elas estão rastejando. Já as conheço bastante, mas ainda não sei se elas se comunicam entre si.
Então Eddie se vira, mas não antes de Roland ver os últimos raios
vermelhos do pôr do sol refletidos nas lágrimas em seu seu rosto.
Roland torna a se virar para a praia e observa. As lagostrosidades
rastejam e perguntam, perguntam e rastejam, mas ambas as atividades
parecem sem objetivo; elas têm alguma inteligência, mas não suficiente para passar informações a outras de sua espécie.
Deus nem sempre te joga tudo na cara, pondera Roland. Na maioria
das vezes sim, mas nem sempre.
Eddie volta trazendo lenha.
— E então? — pergunta Eddie. — O que acha?
— Estamos muito bem — chia o pistoleiro, e Eddie começa a dizer
alguma coisa, mas o pistoleiro está cansado, se recosta, contempla as primeiras estrelas brotando pela esfera do céu violeta e
embaralhada
nos três dias que se seguem, o pistoleiro progrediu com firmeza de volta à
saúde. As linhas vermelhas subindo pelos braços primeiro revertem sua direção, depois desbotam, depois somem. No dia seguinte ele às vezes caminha, às vezes deixa Eddie carregá-lo. No outro dia já não precisa ab-
solutamente ser carregado; a cada uma ou duas horas eles apenas se sen-tam durante um certo tempo até que a sensação de fraqueza saia das per-nas de Roland. Foi durante esses períodos de repouso e nos intervalos
após o jantar, mas antes da fogueira se apagar de todo e caírem os dois no sono, que o pistoleiro ouviu as histórias sobre Henry e Eddie. Ele se lem-
bra de ter perguntado o que aconteceu para tornar tão difícil a infância