A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Stephen King · Capítulo 75 de 274

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A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

— Johnny Cash — Henry respondeu.

— Ai, meu Deus! — Tricks Postino gritou. — É a resposta que você

dá pra tudo! Johnny Cash, é a porra da resposta que você dá pra tudo!

— Johnny Cash é tudo — replicou Henry com gravidade e houve

um instante de silêncio palpável ante o inesperado da resposta... Depois

uma chocalhante explosão de riso, não apenas dos homens que estavam

ali, com Henry, mas dos outros dois "cavalheiros" sentados na despensa.

— Quer que eu feche a porta, Sr. Balazar? — perguntou Cimi em

voz baixa.

— Não, está bem assim — disse Balazar. Ele era da segunda geração

siciliana, mas não havia qualquer sotaque em sua fala, nem era ela a fala de

um homem cuja única educação tivesse vindo das ruas. Ao contrário

de muitos de seus contemporâneos no negócio, ele concluíra o segundo

grau. Na realidade, tinha feito mais: freqüentara dois anos do curso de

administração de empresas da New York University. Sua voz, como seu

estilo de negociar, era suave, educada e americana, o que tornava seu

aspecto físico tão decepcionante quanto o de Jack Andolini. Quem

ouvia pela primeira vez aquela voz americana, clara e sem sotaque, ficava

quase sempre meio atordoado, como se estivesse vendo uma

apresentação particularmente boa de um ventríloquo. Balazar lembrava um

sitiante, um dono de estalagem ou um pequeno mafioso que tivesse obtido

êxito por estar no lugar certo na hora certa, não por obra de qualquer massa

cinzenta. Balazar lembrava o tipo que os espertos de uma geração anterior

tinham chamado de "bigodudo". Era um homem gordo que se vestia

como um camponês. Naquela tarde, usava uma camisa de algodão toda

branca e aberta no pescoço (rodelas de suor se espalhavam debaixo dos

braços) e uma calça de brim toda cinza. Os pés gordos e sem meias

calçavam sapatos marrons, tipo mocassim, mas tão velhos que pareciam

antes chinelos que sapatos. Veias de varizes azuis e roxas serpenteavam

nos tornozelos.

Cimi e Cláudio o observavam, fascinados.

Nos velhos tempos ele era chamado de // Roche — A Rocha. Alguns

dos veteranos ainda o chamavam assim. Na primeira gaveta, do lado direi-

to de sua mesa, onde outros homens de negócios guardavam blocos, cane-

tas, clipes de papel, coisas do gênero, Enrico Balazar tinha sempre três

baralhos de cartas. Mas não jogava nada com eles.