A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
— Para onde, amigo? — perguntou o…
— Para onde, amigo? — perguntou o motorista. Roland não fazia
idéia se ele era da tribo dos Motorístas ou dos Ta-xistas, e não tinha
intenção de perguntar. Isso poderia ser indelicado naquele mundo.
— Não tenho certeza.
— Não está num grupo de terapia, meu amigo. Tempo é dinheiro.
Mande que arrie a bandeira do taxímetro, pediu o arquivo Mort.
— Arrie sua bandeira — disse Roland.
— Já está marcando o tempo — respondeu o motorista.
Diga que vai dar cinco paus de gorjeta, aconselhou o arquivo Mort.
— Dou cinco paus de gorjeta — disse Roland.
— Vamos ver — respondeu o homem. — Só acredito vendo.
Pergunte se ele quer o dinheiro ou se quer ir se foder, o arquivo Mort
aconselhou de imediato.
— Quer o dinheiro ou quer ir se foder? — perguntou Roland num
tom seco, frio.
Por um breve momento, os olhos do motorista olharam apreensivos
pelo retrovisor. Ele não disse mais nada.
Dessa vez, Roland consultou o estoque acumulado de conhecimento
de Jack Mort mais completamente. O motorista deu mais uma olhada,
rápida, durante os 15segundos que seu passageiro se limitou a ficar senta-
do lá atrás com a cabeça ligeiramente inclinada e a mão esquerda espalmada
na testa, como se estivesse com um início de enxaqueca. O motorista ti-
nha decidido dizer ao sujeito para sair ou ele chamaria um policial, quando
o passageiro ergueu a cabeça e disse suavemente:
— Gostaria que me levasse à Sétima Avenida com a rua 49. Por isso
vou lhe dar dez dólares além do que o taxímetro marcar, não importa qual
seja sua tribo.
Maluco, pensou o motorista (um branco-anglo-saxão-protestante de
Vermont tentando entrar no show business), mas talvez um maluco rico.
Engrenou a primeira.
— Estamos lá num minuto, amigão — e acrescentou mentalmente
ao entrar no tráfego: Quanto mais depressa melhor.