A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Stephen King · Capítulo 150 de 274

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A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Atirou a faca para a cadeira da…

Atirou a faca para a cadeira da Dama, mas bem para a direita. A

faca entrou na areia até o cabo e tremeu. Então a Dama virou a cabeça e

começou:

— Quem sabe você não poderia, por favor, me explicar para onde

exatamente me trouxe...

Parou. Tinha dito quem sabe você antes que a cabeça tivesse tempo de

se virar e ver que não havia ninguém atrás dela. O pistoleiro, no entanto,

observou com algum interesse real que, mesmo assim, ela levou a pergun-

ta até o fim, pois sua condição transformava certas coisas em verdades

elementares da vida: por exemplo, se tinha se movido, teria de ter sido

movida por alguém. Mas não havia ninguém atrás dela.

Absolutamente ninguém.

Tornou a olhar para Eddie e para o corpo do pistoleiro, os olhos

escuros agitados, confusos, alarmados. Então perguntou:

— Onde estou? Quem me empurrou? Como posso estar aqui? Pior,

como posso estar vestida se estava em casa de roupão, vendo o noticiário

da meia-noite? Quem sou eu? Onde fica este lugar? Quem são vocês?

"Quem sou eu?", ela perguntou, pensou o pistoleiro. O dique

estourou e houve uma inundação de perguntas; o que já era de se

esperar. Mas acho que uma dessas perguntas — "quem sou eu?"— ela

não sabe que fez.

Nem quando fez.

Porque tinha perguntado antes.

Mesmo antes de ter perguntado quem eram eles, ela havia pergunta-

do quem era ela.

 

O olhar de Eddie passou do belo rosto jovem/velho da negra na cadeira de

rodas para o rosto de Roland.

— Como ela não sabe quem é?

— Não sei. Choque, eu acho.

— O choque levou-a de volta à sala de sua casa antes de ela sair para a

Macy's? Está me dizendo que a última coisa de que ela se lembra é

realmente estar sentada de roupão ouvindo uma conversa fajuta sobre

como encontraram aquele mafioso em Florida Keys com a mão esquerda

da Christa McAuliff pendurada na parede do escritório ao lado do troféu

de pesca?

Roland não respondeu.

Mais atordoada que nunca, a Dama perguntou:

— Quem é Christa McAuliff? É uma daquelas ativistas que sumiu?

Agora era a vez de Eddie não responder. Ativistas? Que diabo era

aquilo?

O pistoleiro olhou para Eddie, que foi capaz de ler com bastante

facilidade nos olhos do outro: não está vendo que ela está em estado de

choque?

Sei o que está querendo dizer, Roland amigo velho, mas a coisa só fica

explicada até certo ponto. Também fiquei mais ou menos em choque quando

você entrou na minha cabeça como um maluco doido de crack, mas isso não limpou os meus bancos de memória.

Falando em choque, Eddie levara outro bom e belo susto quando

ela atravessou. Estava ajoelhado na frente do corpo inerte de Roland, a faca bem em cima da pele vulnerável da garganta... mas a verdade era que não poderia realmente ter usado a faca — não naquele momento,

sem dúvida. Estava olhando para a porta, hipnotizado, quando o corredor da Macy's avançou para ele — tornou a se lembrar de O Iluminado, onde

você vê o que o menino está vendo quando pedala o velocípede através dos corredores do hotel mal-assombrado. Lembrava-se de que o menino tinha visto a arrepiante dupla de gêmeos mortos num daqueles corredo-

res. O fim do corredor, no entanto, fora muito mais trivial: uma porta branca. As palavras SÓ DUAS PEÇAS DE CADA VEZ, POR FAVOR estavam discretamente escritas nela. Certo, era a Macy's, tudo bem. Com

certeza a Macy's.

A mão negra de alguém havia tomado a frente e escancarado a porta

enquanto uma voz de homem (uma voz de tira, se é que Eddie já tinha

ouvido um tira, e já tinha ouvido muitos em sua vida) gritava para que saísse, que não havia meio de escapar, que ela só estava tornando as coisas tremendamente piores para si mesma. No espelho à esquerda, Eddie cap-

tou de relance a mulher negra na cadeira de rodas e se lembrou de ter pensado: Meu Deus, ele apegou, não há dúvida, e com certeza ela não parece nada satisfeita com isso.