A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Stephen King · Capítulo 202 de 274

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A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Tentou mover no sentido horário; tentou no…

Tentou mover no sentido horário; tentou no sentido oposto. A maçaneta não se mexeu um só milímetro.

— Está bem. — A voz dela era calma, resignada. — A porta só está

aqui para ele. Acho que nós dois já sabíamos disso. Vá para perto dele,

Eddie. Agora.

— Primeiro tenho de cuidar de você.

— Vou ficar bem.

— Não, não vai. Está muito próxima da linha da maré alta. Se deixá-

la aqui, as lagostas vão aparecer quando ficar escuro e você vai virar jan...

No alto das colinas, o rosnado áspero de um felino seccionou o que

ele estava dizendo como faca cortando um fio fino. Fora a uma boa dis-

tância, embora mais próxima que a do outro rosnado.

Por um breve instante, os olhos de Odetta se moveram para o revól-

ver enfiado na cintura da calça de Eddie, depois se voltaram para os olhos

dele. Eddie sentiu um calor mortiço no rosto.

— Roland mandou que não me desse o revólver, não é? — disse ela

em voz baixa. — Não quer a arma comigo. Por alguma razão não quer a

arma comigo.

— As balas se molharam — disse ele meio sem jeito. —

Provavelmente não iriam nem disparar.

— Compreendo. Suba um pouco a encosta comigo, Eddie, está bem?

Sei como suas costas devem estar moídas; Andrew chamava isso de Má

Postura da Cadeira de Rodas, mas se subir um pouco comigo, ficarei a

salvo das lagostas. E duvido que alguma outra coisa, com elas por aqui, se

aproxime dessa região.

Eddie pensou: Sim, provavelmente é como ela diz... quando a maré

está alta... Mas o que pode acontecer quando a água começar de novo a

recuar?

— Me dê alguma coisa para comer e algumas pedras — disse ela, e

sua involuntária repetição das palavras do pistoleiro fez Eddie corar de

novo. Bochechas e testa ficaram como as paredes de um forno de tijolos.

Odetta olhou para ele, sorriu debilmente e balançou a cabeça como

se ele tivesse falado em voz alta.

— Não vamos ficar repisando o assunto — disse ela. — Sei qual é a

situação de Roland. Ele tem muito, muito pouco tempo. Não podemos

ficar aqui parados, discutindo. Suba um pouco comigo, me deixe comida e

algumas pedras, depois pegue a cadeira e vá.

 

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Eddie a acomodou o mais depressa que pôde, depois puxou o revólver do

pistoleiro e estendeu a coronha para ela. Mas Odetta balançou a cabeça.

— Ele ficaria furioso com nós dois. Furioso com você por me dar a

arma, comigo por aceitá-la.

— Merda! — gritou Eddie. — Por que essa preocupação na cabeça? — Sei como ia ser — disse ela, e o tom foi impenetrável. — Bem, mas suponha que haja o outro lado. Apenas suponha. Eu

vou ficar furioso com você se você não aceitar.

— Guarde isso. Não gosto de armas. Não sei usá-las. Se alguma coisa viesse do escuro em minha direção a primeira coisa que eu faria seria molhar as calças. A segunda seria apontar para o lado errado e atirar em mim

mesma. — Fez uma pausa, olhando solene para Eddie. — Há mais uma coisa e acho que deve saber. Não quero encostar a mão em nada que pertence a ele. Absolutamente nada. Para falar a verdade, acho que as

coisas de Roland podem ter o que minha mãe chamava de vodu. Gosto de me imaginar uma mulher moderna... mas não quero nada enfeitiçado

perto de mim quando você for embora e eu me vir cercada pela escuridão.

Os olhos de Eddie passavam da arma para Odetta e ainda revelavam

dúvida.

— Guarde isso — disse ela, severa como uma professora de crianças.

Eddie deu uma gargalhada e obedeceu.

— Por que está rindo?

— Porque você está parecendo a Sra.' Hathaway. Ela foi minha

professora no primário.

Ela sorriu um pouco, sem afastar os olhos luminosos de Eddie. Can-

tou em voz baixa, docemente: Camadas celestiais da noite estão caindo... é hora do crepúsculo... — A voz dela se extinguiu e os dois olharam para

oeste, mas a estrela a que tinham feito seus pedidos na noite anterior ainda

não aparecera, embora a sombra dos dois já estivesse bem comprida sob o

resto de sol.