A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
— Você está a serviço dos federais,…
— Você está a serviço dos federais, Eddie? — perguntou Balazar num
tom suave.
— Não. Eles tiveram de me soltar. Estão me seguindo, mas não
estou sendo bobo.
— Então conseguiu se livrar da mercadoria — disse Balazar. — É
incrível. Tem de me contar como a pessoa pode se livrar de um quilo de
cocaína quando está num avião. Seria uma informação útil para ter
sempre à mão. E como desvendar uma história de mistério sobre um
quarto trancado.
— Não me livrei da mercadoria — disse Eddie —, mas ela não está
mais comigo.
— Então com quem está? — perguntou Cláudio, mas logo ficou
vermelho quando o irmão olhou-o com implacável ferocidade.
— Com ele — disse Eddie, sorrindo e apontando para Enrico Balazar
sobre a torre de cartas. — Já foi entregue.
Pela primeira vez desde que Eddie fora escoltado até o escritório,
uma genuína emoção iluminou o rosto de Balazar: surpresa. Mas ela logo
desapareceu. Balazar sorriu polidamente.
— Entendo — disse ele. — A mercadoria foi para um lugar que será
revelado mais tarde, depois que tiver recuperado seu irmão, suas coisas e
decolado. Para a Islândia, talvez. Não é assim que deve acontecer?
— Não — disse Eddie. — Você não entende. A mercadoria está aqui.
Foi entregue bem na sua porta. Exatamente como combinamos. Porque
mesmo nos dias de hoje há gente que acredita em cumprir o acordo que
foi originalmente combinado. É incrível, eu sei, mas é verdade.
Todos olhavam para ele.
Como estou me saindo, Roland?, perguntou Eddie. Acho que está se saindo muito bem. Mas não deixe esse tal de Balazar
recuperar a pose, Eddie. Acho que ele é perigoso.
Você acha, é? Bem, superei você nesse ponto, meu amigo. Eu sei que ele é
perigoso. Perigoso pra cacete.
Tornou a olhar para Balazar e deu-lhe uma rápida piscada.
— É por isso que agora você é quem tem de estar preocupado com os
federais, não eu. Se eles chegarem aqui com um mandato de busca, vai ver
que se fodeu sem nem abrir as pernas, Sr. Balazar.