A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Stephen King · Capítulo 158 de 274

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A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

— O que gostamos de pensar de…

— O que gostamos de pensar de nós mesmos e o que realmente somos

raramente têm muita coisa em comum, eu acho, mas sim... gosto de me imaginar como alguém imparcial. Então por favor me desculpe, Eddie.

— Desculpo com uma condição.

— Qual? — Ela estava novamente sorrindo. O que era bom. Eddie

gostava quando era capaz de fazê-la sorrir.

— Dê uma chance a isto. A condição é esta. — Dar uma chance a quê — Ela parecia estar achando graça. Eddie

podia ter se irritado ouvindo aquele tom na voz de outra pessoa, podia ter sentido que não estava sendo levado a sério, mas com ela era diferente. Com ela não fazia mal. Desconfiava que com ela mais ou menos nada faria mal.

— Dê uma chance à possibilidade de existir uma terceira via. Disto

estar realmente acontecendo. Quero dizer... — Eddie limpou a garganta. — Não sou muito bom naquelas merdas filosóficas, tipo metamorfose ou seja lá o diabo que for...

— Quis dizer metafísica?

— Talvez. Não sei. Acho que sim. Mas sei que você não pode andar

por aí sem acreditar no que seus sentidos lhe dizem. Ora, se sua idéia sobre tudo isto ser um sonho estivesse certa...

— Não falei em sonho...

— Seja como for, é desse jeito que você vê a coisa, não é? Uma falsa

realidade.

Se um momento atrás havia um tom levemente condescendente na

voz dela, ele desaparecera.

— Filosofia e metafísica podem não estar no seu cacife, Eddie, mas

você deve ter sido um tremendo participante dos debates na escola.

— Nunca participei de um debate. Isso era coisa de gays, pirados e

loucas. Como um clube de xadrez. E que história é essa de cacife? O que é um cacife?

— Uma coisa de que você gosta e que te dá força. E que história é essa

de gays? O que são gays?

Ele a encarou um instante, depois deu de ombros.

— Homos. Veados. Não importa. Podemos ficar o dia inteiro

trocando palavras. Isto não vai nos levar a parte alguma. O que estou tentando dizer é que se tudo é um sonho, pode ser o meu sonho, não o seu. Você pode ter sido inventada pela minha imaginação.