A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Stephen King · Capítulo 88 de 274

Páginas do PDF

A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Balazar pegara duas cartas. Suas mãos estremeceram…

Balazar pegara duas cartas. Suas mãos estremeceram e ele as pou-

sou. Foi muito rápido, mas Roland percebeu e Eddie também. Uma

expressão de dúvida — talvez até de certo medo — apareceu e sumiu do rosto dele.

— Olhe como fala comigo, Eddie. Cuidado com as palavras que usa

e por favor não esqueça que meu tempo e minha tolerância para disparates são curtos.

Jack Andolini pareceu alarmado.

— Eddie fez um acordo com eles, Sr. Balazar! Este merdinha

entregou a cocaína e eles a plantaram aqui enquanto fingiam continuar o

interrogatório!

— Ninguém esteve aqui — disse Balazar. — Ninguém conseguiria

chegar perto daqui, Jack, você sabe disso. Os bipes disparam quando uma

pomba solta um peido no telhado.

— Mas...

— Mesmo que tivessem conseguido armar alguma contra nós, tenho

muita gente na organização deles e em três dias a coisa estaria vazando por todos os lados. Saberíamos quem, quando e como.

Balazar tornou a olhar para Eddie.

— Eddie — disse —, você tem 15 segundos para falar como homem.

Depois disso vou chamar o Cimi Dretto, que vai lhe dar uma lição. E depois, quando acabar de dar uns apertões em você, o Cimi vai para outro

lugar, e de um cômodo vizinho a este outro lugar você vai ouvi-lo bater no seu irmão.

Eddie se retesou.

Fácil, murmurou o pistoleiro, e pensou: Tudo que Balazar tem afazer

para atingi-lo é dizer o nome do irmão. É como cutucar numa ferida

aberta com um pedaço de pau.

— Vou entrar no seu banheiro — disse Eddie, apontando para uma

porta no canto esquerdo da sala, uma porta tão discreta que poderia ser

confundida com um dos painéis da parede. — Vou entrar sozinho lá. Depois vou voltar com meio quilo da cocaína. Metade da remessa. Você faz o teste. Então traz o Henry aqui para que eu possa olhar para ele.

Depois que eu o vir, depois que souber que está bem, vai dar a ele nossas drogas e ele vai para casa com um de seus cavalheiros. Enquanto isso acontece, eu e... — Roland, quase dissera - ... eu e o resto dos caras que nós

dois sabemos que você tem aqui ficamos vendo você construir essa armação das cartas. Quando Henry estiver seguro em casa... o que significa não haver mais ninguém por lá apontando um revólver para sua orelha... ele vai me ligar

e dizer uma certa palavra. Uma coisa que combinamos antes da minha partida. Para alguma eventualidade.

O pistoleiro examinou a mente de Eddie para saber se aquilo era

mesmo verdade. Era verdade, ou pelo menos Eddie achava que sim. Roland viu que Eddie realmente acreditava que o irmão Henry preferiria morrer a

revelar que palavra era aquela e para que servia. O pistoleiro não tinha tanta certeza.

— Você deve achar que eu ainda acredito no Papai Noel — disse

Balazar.

— Sei que não acredita.

— Cláudio, reviste-o. Jack, vá até o meu banheiro e reviste tudo lá.

Tudo.

— Há algum esconderijo que eu ainda desconheça? — perguntou

Andolini.

Balazar hesitou um instante, esquadrinhando cuidadosamente Ando-

lini com seus olhos castanho-escuros.

— Há um pequeno painel no fundo do armário de remédios — disse

ele. — Guardo umas coisas pessoais lá dentro. Não é grande o bastante

para meio quilo de coca, mas talvez seja bom dar uma checada.

Jack deu meia-volta e, quando ele entrou no pequeno reservado, o

pistoleiro viu de relance a mesma luminosidade branca, glacial, que ilumi-

nava o reservado da carruagem aérea. Então a porta se fechou.

Os olhos de Balazar voaram de novo para Eddie.

— Por que insiste em fazer este jogo maluco? — perguntou, quase

num tom de pesar. — Achei que você fosse mais esperto.

— Olhe para a minha cara — disse Eddie calmamente — e me diga

se não estou dizendo a verdade.

Balazar fez o que Eddie pediu. Observou-o demoradamente. Por

fim virou para o lado, as mãos enfiadas tão fundo nos bolsos que o rego de sua bunda de camponês apareceu um pouco. Era uma

postura de pesar - pesar por um filho desgarrado -, mas antes de ele

se virar. Roland viu uma expressão no rosto de Balazar que não era de pesar. O que Balazar tinha visto na cara de Eddie não o deixara

pesaroso, mas profundamente perturbado.