A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
Detta atirou a cabeça para trás e…
Detta atirou a cabeça para trás e riu com tanta estridência que fez as
gaivotas, a quatrocentos metros dali, esvoaçarem aos gritos das rochas onde
estavam reunidas.
O pistoleiro sentou-se com as mãos pendendo entre os joelhos, pen-
sando. Por fim, ergueu a cabeça e comentou com Eddie:
— Só consigo entender uma palavra em cada dez que ela diz. — Estou bem na sua frente — respondeu Eddie. — Pego pelo me-
nos duas em cada três. Não importa. A maioria delas se resume ao branco
puto.
Roland assentiu.
— Há muita gente de pele negra falando desse jeito no lugar de onde
você veio? A outra dela não falava assim.
— Não. — Eddie sacudiu a cabeça e riu. — E vou lhe contar um
segredo meio engraçado... pelo menos eu acho meio engraçado, mas talvez
seja apenas porque não há muito do que rir por aqui. A coisa não é a sério.
Não é a sério e ela nem sabe disso.
Roland olhou para ele e não disse nada.
— Lembra de quando lavou a testa de Detta, como ela fingiu que
estava com medo da água?
— Lembro.
— Percebeu que ela estava fingindo?
— Não a princípio, mas bem depressa.
Eddie assentiu.
— A coisa era uma representação e ela sabia que era. Mas é uma
ótima atriz e, por alguns segundos, enganou a nós dois. O modo como
está falando é uma representação, também. Mas quando fala parece tão
estúpida, tão incrivelmente falsa!
— Acho que ela só finge bem quando tem absoluta consciência de
estar fingindo.
— Sim. Porque no fundo o que ela lembra é aquela rainha dos
ignorantes que havia num livro chamado Mandingo, que li uma vez, e
também lembra Butterfly McQueen, no filme E o Vento Levou. Sei que
não conhece esses nomes, mas o que estou querendo dizer é que ela fala
por clichês. Não conhece a palavra?
E Eddie continuou: