A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
O pistoleiro havia recuperado a consciência logo após Eddie arrastá-lo
para a sombra de uma saliência de rocha. No seu rosto, áreas roxas se
alternavam com áreas muito vermelhas. Seu peito subia e descia muito
depressa. O braço direito era uma emaranhada teia de linhas vermelhas.
— Dê de comer a ela — grasnou Roland para Eddie.
— Você...
— Não se importe comigo. Eu vou ficar bem. Dê de comer a ela.
Agora ela vai comer, eu acho. E você vai precisar também da energia dela.
— Roland, e se ela estiver apenas fingindo ser... O pistoleiro fez um gesto de impaciência.
— Não está fingindo absolutamente nada. Está sozinha em seu corpo.
Sei disso e você também sabe. Está estampado no rosto dela. Alimente-a,
pelo amor de seu pai e, enquanto ela come, volte até aqui. Agora cada
minuto conta. Cada segundo.
Eddie se levantou e o pistoleiro puxou-o de volta com a mão esquer-
da. Doente ou não, ainda tinha força.
— E não comente nada sobre a outra. Não importa o que ela diga,
não importa o que ela explique, não a contradiga.
— Por quê?
— Não sei. Só sei que não deve. Agora faça o que eu digo e não perca
mais tempo!
Sentada em sua cadeira, Odetta contemplava o mar com uma expres-
são de ligeiro e confuso espanto. Quando Eddie lhe ofereceu os pedaços
de lagosta que haviam sobrado da noite anterior, ela deu um sorriso de
pesar.
— Comeria se pudesse — disse —, mas você sabe o que acontece. Eddie, que não fazia idéia do que ela estava falando, se limitou a dar
de ombros.
— Não custa tentar de novo, Odetta. Você precisa comer, sabe disso.
Temos de seguir o mais depressa possível.
Ela deu uma risada curta e tocou na mão dele. Eddie sentiu uma
espécie de descarga elétrica saltar do corpo dela para o seu. E sem dúvida
era Odetta. Teve tanta certeza quanto Roland.