A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Stephen King · Capítulo 106 de 274

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A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Eddie puxou o gatilho e pulverizou Tricks…

Eddie puxou o gatilho e pulverizou Tricks das sobrancelhas para cima.

Aliás, a julgar pelo comportamento do homem, isso não foi uma grande

perda.

Meu Deus, quando essas coisas realmente disparam, fazem mesmo bura-

cos, pensou Eddie.

Um alto KA-BLAM veio da esquerda de Eddie. Algo tinha aberto

um buraco quente em seu subdesenvolvido bíceps esquerdo. Viu Balazar apontando o Mag para ele atrás da quina da mesa repleta de cartas. Seu ombro era uma gotejante massa vermelha. Eddie se abaixou quando o

Magnum disparou de novo.

 

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Conseguindo se manter agachado, Roland mirou no primeiro dos novos

homens que atravessavam a porta e apertou o gatilho. Tinha puxado o cilindro, descarregado no carpete os cartuchos usados e os imprestáveis e abastecido a arma com nova munição. Fizera tudo com os dentes. Balazar

conseguira acertar Eddie. Se este tiro falhar, acho que nós dois já éramos.

Não falhou. O revólver detonou, deu o coice em sua mão e Jimmy

Haspio girou para o lado, seu 45 caindo dos dedos que morriam.

Roland viu o outro homem recuar num mergulho e começar a raste-

jar pelos estilhaços de madeira e vidro que forravam o chão. Deixou o revólver voltar para o coldre. A idéia de tornar a recarregá-lo com dois

dedos direitos perdidos era uma brincadeira.

Eddie estava se saindo bem. Principalmente, pensou o pistoleiro, le-

vando-se em conta o fato de estar lutando nu. Era coisa difícil para um homem. Às vezes impossível.

O pistoleiro agarrou uma das pistolas automáticas que Cláudio

Andolini deixara cair.

— O que o resto de vocês está esperando? — gritou Balazar. — Meu

Deus! Acabem com esses dois!

O grande George Biondi e o outro homem que viera da despensa

investiram pela porta. O outro berrava alguma coisa em italiano.

Roland rastejou para a quina da mesa. Eddie se levantou, apontando

para a porta e para os homens que atiravam. Ele sabe que Balazar está lá, esperando, mas acha que é o único de nós dois que ainda tem um

revólver, pensou Roland. Aqui está outro pronto para morrer por você, Roland. O que um dia você fez de tão errado para inspirar tão terrível lealdade em tantos homens? Balazar se levantou, sem perceber que o

pistoleiro estava agora do seu lado. Balazar só pensava numa coisa: dar um fim no maldito viciado que havia causado toda aquela tragédia.

— Não — disse o pistoleiro, e Balazar olhou para o lado, a surpresa

estampada no rosto.

— Vá se fo... — começou Balazar, apontando o Magnum. O pistoleiro

atingiu-o quatro vezes com a arma automática de Cláudio. Era uma coisinha barata, não muito melhor que um brinquedo, e tocá-la fez sua mão se sentir um tanto suja, mas talvez fosse adequado matar um homem

desprezível com uma arma desprezível.

Enrico Balazar morreu com uma expressão de espanto terminal no

que sobrou do seu rosto.

— Ei, George! — disse Eddie, puxando o gatilho do revólver do

pistoleiro. Aquele gostoso estrondo escapou novamente. Nada enguiçado por aqui, rapaz, pensou Eddie freneticamente. Acho que devo ter apanhado o bom cartucho. George conseguiu dar um tiro antes que a bala de Eddie o

atirasse para trás, como bola de boliche, na direção de um Balazar que gritava (George, no entanto, não acertaria o alvo). Uma sensação

irracional mas extremamente poderosa assaltara Eddie: a idéia de que o revólver de Roland possuía alguma força de talismã, algum poder mágico de proteção. Enquanto o conservasse, não poderia ser ferido.

O silêncio então caiu, um silêncio no qual Eddie só pôde ouvir o

homem gemendo debaixo do Grande George (quando caiu sobre Rudy

Vechhio, que era o nome de seu infortunado companheiro, George havia fraturado três de suas costelas) e um forte zumbido nos ouvidos. Não sabia se voltaria a ouvir direito. A orgia de tiros, que agora parecia concluí-

da, fazia o mais barulhento show de rock assistido por Eddie lembrar um rádio ligado a duas quadras de distância.

O escritório de Balazar não se parecia mais em nada com uma sala. A

antiga função já não podia mais ser vista. Eddie olhou em volta com os

olhos arregalados, curiosos de um homem muito jovem que via aquele tipo

de coisa pela primeira vez, mas Roland conhecia o cenário e o cenário era sempre o mesmo. Quer se tratasse de um campo aberto de batalha onde

milhares tinham morrido por obra de canhões, rifles, espadas e alabardas,

ou de uma pequena sala onde cinco ou seis tinham se baleado entre si, era o mesmo lugar, no fundo sempre o mesmo lugar: outro campo da morte,

fedendo a pólvora e a carne crua.Da parede entre o banheiro e o escritório só havia sobrado algumas escoras. Vidro quebrado cintilava por toda

parte. Painéis do teto, que haviam sido retalhados pela vistosa mas inútil

exibição pirotécnica da M-16 de Tricks Postino, pendiam como pedaços de pele solta.

Eddie deixou escapar uma tosse seca. Agora conseguia ouvir outros

sons — um murmúrio nervoso de conversa, vozes gritando na frente do bar e, à distância, o trinado de sirenes.

— Quantos? — perguntou o pistoleiro a Eddie. — Será que demos

conta de todos eles?

— Acho que sim...

— Tenho uma coisa para você, Eddie — disse Kevin Blake do corre-

dor. — Achei que poderia querê-la, como um suvenir, sabe como é? — O que Balazar não fora capaz de fazer ao Dean mais moço, Kevin fizera ao

mais velho. Ele atirou a cabeça cortada de Henry Dean pela porta.

Eddie viu o que era e gritou. Correu para a porta, alheio aos estilha-

ços de vidro e madeira que entravam nos pés descalços, gritando, atiran-

do, detonando as últimas balas utilizáveis do grande revólver que ganhara.

— Não, Eddie!— gritou Roland, mas Eddie não ouviu. Estava além

das possibilidades da audição.

O sexto tiro foi falho, mas naquele momento Eddie só tinha consciên-

cia do fato de Henry estar morto, Henry, tinham lhe cortado a cabeça,

algum miserável filho-da-puta tinha cortado a cabeça de Henry e esse filho-

da-puta ia pagar, ah sim, podíamos apostar nisso.

E assim ele correra para a porta, puxando repetidamente o gatilho,

sem perceber que nada mais estava acontecendo, sem perceber que os pés estavam vermelhos de sangue e que Kevin Blake permanecia no cor-

redor à sua espera, bem agachado, com um Llama 38 automático na mão. O cabelo ruivo de Kevin caía em cachos e anéis e Kevin estava

sorrindo.