A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
Então a sanidade retomou seu lugar. Aquilo…
Então a sanidade retomou seu lugar. Aquilo não era uma blitz contra um
ponto de venda de drogas ou um roubo à mão armada; tratava-se de uma
senhora negra paralítica numa cadeira de rodas. Sem dúvida ela fazia a
cadeira rolar como em alguma disputa punk de skate, mas nem por isso
deixava de ser apenas uma senhora negra deficiente. O que ele iria fazer,
atirar nela? Essa seria ótima, não? E para onde ela poderia ir? A única coisa
que havia no final do corredor eram dois vestiários.
Ele se levantou, dando uma massagem no traseiro, e voltou a correr
atrás dela, agora mancando um pouco.
A cadeira de rodas voou para dentro de um dos vestiários. A porta se
escancarou, a maçaneta de empurrar foi e voltou.
Pego você agora, puta, pensou Jimmy. E vou lhe dar um susto
tremendo. Pouco me importa se tiver de sustentar cinco crianças órfãs e
não tiver mais de um ano de vida. Não vou machucá-la, mas, ah, garota, vou lhe dar uma verdadeira prensa.
Ultrapassou o gerente até o vestiário, escancarou a porta com
o ombro esquerdo, mas o aposento estava vazio.
Nenhuma mulher negra.
Nenhuma cadeira de rodas.
Absolutamente nada.
Cravou os olhos no gerente.
— Abra o outro! — gritou o gerente. — O outro!
Antes que Jimmy tivesse tempo de se mexer, o gerente tinha
escancarado a porta do outro vestiário. Uma mulher de saia de linho e sutiã soltou um grito estridente e cruzou os braços sobre o peito.
Era branca, sem a menor dúvida, e não era, decididamente, deficiente física.
— Perdão — disse o gerente, sentindo um forte tom
escarlate tomando conta do rosto.
— Fora daqui, tarado!— gritou a mulher de saia de linho e
sutiã.
— Sim, madame — disse o gerente, fechando a
porta.
Na Macy's, o cliente tinha sempre razão.
Ele olhou para Halvorsen. Halvorsen retribuiu o
olhar.
— Que merda foi essa? — perguntou Halvorsen. — Ela entrou aí ou não?