A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
Capítulo 12
Há um lugar onde você pode deixar isso enquanto executa a Passagem pela
Alfândega, disse a voz. Um lugar seguro. Depois, quando estiver lá fora, pode
pegar a coisa de novo e levá-la para esse tal de Balazar.
Agora as pessoas estavam em pé, tirando as coisas das arcas sobre as
cabeças e tentando lidar com casacos que, segundo o anúncio da cabine,
eram quentes demais para serem usados com aquela temperatura.
Pegue sua mala. Pegue sua jaqueta. Depois torne a entrar na casinha. Cos...
Ah. Banheiro. Privada.
Se acharem que tenho droga vão pensar que estou tentando jogá-la fora.
Mas Eddie percebeu que esse detalhe não importava. Elas não chega-
riam exatamente a arrombar a porta, pois os passageiros poderiam se as-
sustar. E elas deviam saber que não se pode jogar um quilo de cocaína
numa privada de avião e dar a descarga sem deixar rastro. A não ser que a
voz estivesse realmente dizendo a verdade... que houvesse um lugar mais
seguro. Mas como poderia haver?
Não interessa, droga! MEXA-SE!
Eddie se mexeu. Porque tinha finalmente se dado conta da situação.
Não estava vendo tudo que Roland, com seus muitos anos e seu treina-
mento de movimentos drásticos e precisos, podia ver, mas conseguiu per-
ceber as expressões das aeromoças — suas verdadeiras expressões, aquelas
atrás dos sorrisos e do manuseio nervoso de malas de roupas e caixas guar-
dadas no bagageiro da frente. Podia ver o modo como os olhos delas se
agitavam em sua direção, rápidos como chicote, repetidas vezes.
Pegou sua mala. Pegou sua jaqueta. A porta para a passarela fora
aberta e as pessoas já avançavam pelo corredor. A porta da cabine estava
aberta e lá estava o comandante, também sorrindo... mas também obser-
vando os passageiros da primeira classe que ainda juntavam suas coisas
até, finalmente, conseguir localizá-lo — ou melhor, mirá-lo — e em se-
guida disfarçar afastando novamente os olhos, assentindo com a cabeça
para alguém, afagando a cabeça de um menino.
Ele estava ligado agora. Não por causa da droga, apenas ligado. Não
precisava da voz em sua cabeça para ficar ligado. Ligado — algumas vezes