A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
nervosa arfada de ar. Aquilo, sem dúvida,…
nervosa arfada de ar. Aquilo, sem dúvida, era melhor do que não respirar de todo.
Quando o pânico dos batimentos do coração diminuiu um pouco,
Eddie tentou olhar para o lado. O laço tornou imediatamente a apertar.
— Num tenta. Vira a cabeça e fica concentrado na vista do mar,
puto. É tudo que tu deve querê olhá por enquanto.
Eddie virou a cabeça para o mar e o laço afrouxou o suficiente para
outra vez lhe permitir aquelas inspirações extremamente ávidas. Sua mão esquerda avançou furtivamente para o cós da calça (mas ela viu o movi-mento e, embora Eddie não soubesse disso, Detta estava rindo). Nada
havia ali. Ela tirara o revólver.
Detta rastejou para você enquanto estava dormindo, Eddie. Era a voz
do pistoleiro, é claro. De nada adianta eu agora dizer que o avisei, mas... eu
avisei. Foi o que esse romance lhe trouxe — um laço em volta do pescoço e uma louca com dois revólveres em algum lugar atrás de você.
Mas se ela fosse mesmo me matar, já teria feito isso. Teria feito en-
quanto eu estava dormindo.
E o que você pensa que ela vai fazer agora, Eddie? Pegá-lo pela mão e
levá-lo à DisneyWorld, numa viagem para dois com todas as despesas pagas?
— Escute — disse ele. — Odetta...
A palavra ainda não tinha saído de todo de sua boca e o laço já volta-
ra brutalmente a apertar.
— Num quero que me chame assim. A próxima vez que tu me chama
desse jeito vai sê a última vez que tu vai tê oportunidade de chamar qualqué pessoa de qualqué coisa. Meu nome é Detta Walker e se tu qué cuntinuá
pondo algum ar no pulmão, seu pedacinho de merda descorada, é melhó se lembrá disso!
Eddie fez ruídos de sufocamento, de engasgo e agarrou o laço. Gran-
des manchas negras começaram a explodir na frente de seus olhos como flores do mal.
Pelo menos a corda sufocante ao redor de seu pescoço tornava a
afrouxar.
— Sacou, puto?
— Sim — disse ele, mas foi apenas um som rouco e estrangulado.
— Então diga. Diga meu nome.