A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
Capítulo 14
Não exatamente se extraviou, o pistoleiro poderia ter dito a Eddie. Quan-do se sente o sopro da bala no rosto, não se pode realmente dizer que ela se
extraviou.
Com o polegar, o pistoleiro fez o cão da arma recuar e puxou nova-
mente o gatilho, ao mesmo tempo em que se esquivava do tiro de Andolini.
Dessa vez a bala no tambor detonou — o estampido seco e decidido ecoan-do de uma ponta à outra da praia. Gaivotas adormecidas nas pedras, bem
acima das lagostrosidades, despertaram e alçaram vôo em bandos estri-dentes, sobressaltados.
A bala do pistoleiro teria detido Andolini para sempre, mesmo que ele
se esquivasse, mas o pistoleiro preferiu deixar Andolini em movimento, caindo para os lados, atordoado com o estrondo na cabeça. O estampido do revólver pareceu distante, mas a bala precisa que mergulhou em seu braço esquerdo,
estraçalhando o cotovelo, foi bastante real. Ela despertou Andolini de seu torpor e ele ficou de pé, um braço quebrado e inútil, o revólver disparando freneticamente em sua outra mão, procurando um alvo.
Foi Eddie quem ele viu primeiro, Eddie o drogado, Eddie que o leva-
ra para aquele lugar maluco. Eddie estava parado na sua frente, nu como no dia em que viera ao mundo, tremendo no vento cortante, agarrando o
corpo com os dois braços. Bem, talvez ele morresse ali, mas pelo menos teria o prazer de levar consigo aquele fodido do Eddie Dean.
Andolini apontou o revólver. O pequeno Cobra agora parecia estar
pesando uns dez quilos, mas ele conseguiu.
15
Só espero que não falhe de novo, Roland pensou meio tenso, e de novo o
polegar fez o cão recuar. Sob a gritaria das gaivotas, ouviu o levemente
lubrificado clique quando o tambor girou.
16
Não falhou.