A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Stephen King · Capítulo 72 de 274

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A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

— Fez mesmo sua parte? — perguntou…

— Fez mesmo sua parte? — perguntou Andolini quando o último

eco desapareceu.

— Fiz — disse Eddie num tom de voz inteiramente normal. — Tudo bem — disse Andolini. Ele abriu seu punho de antropóide e

sorriu... e quando sorriu, aconteceram duas coisas ao mesmo tempo: a

primeira foi que mostrou um encanto tão surpreendente que só podia ser

um meio de deixar a pessoa indefesa; a segunda foi que revelou o quanto

era inteligente. Perigosamente inteligente. — Então podemos começar de

novo?

Eddie passou as mãos no cabelo, cruzou os braços para conseguir

coçar os dois ao mesmo tempo e disse:

— Acho melhor, porque não íamos chegar a parte alguma. — Tudo bem — disse Andolini. — Ninguém falou nada e ninguém

provocou ninguém. — E sem virar a cabeça ou quebrar o ritmo da fala,

acrescentou: — Volte para a van, sangue bom.

Col Vincent, que descera cautelosamente da van de entregas pela

porta que Andolini deixara aberta, recuou tão depressa que deu uma pan-

cada com a cabeça. Deslizou pelo assento e se afundou em seu antigo

lugar, mal-humorado e esfregando a nuca.

— Você precisa entender que o acordo mudou quando o pessoal da

alfândega pôs a mão em você — disse Andolini num tom persuasivo. —

Balazar é um homem importante. Tem interesses a proteger. Pessoas a

proteger. E por acaso uma dessas pessoas é o seu irmão Henry. Acha que

isso é besteira? Se acha devia ver como o Henry está agora.

— Henry está bem — disse Eddie, mas sabia que não era bem assim

e não pôde impedir que essa percepção transparecesse na voz. Pôde captá-

la e sabia que Jack Andolini também o fez. Henry estava numa fase em

que vivia sempre doidão. Havia buracos em suas camisas de queimaduras

de cigarros. Ele cortara um naco da mão usando o abridor elétrico de latas

numa lata de comida para dar ao Potzie, o gato dos dois. Eddie não sabia

como era possível alguém se cortar com um abridor elétrico, mas Henry

tinha conseguido. Às vezes a mesa da cozinha ficava salpicada da droga de

Henry e às vezes Eddie encontrava escuros e carbonizados restos de droga

na pia do banheiro.

Henry, dizia ele, Henry, tem de prestar mais atenção, a coisa está ficando

fora de controle, você está pedindo para levar uma dura.