A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
O pistoleiro achou que aquele homem, prisioneiro…
O pistoleiro achou que aquele homem, prisioneiro ou não, era provavel-
mente melhor na fina arte da sobrevivência do que qualquer um dos ou-
tros homens que ele vira na carruagem aérea. Os outros eram, em geral,
umas coisas gordas, e mesmo os que estavam razoavelmente em forma
pareciam indefesos, de guarda aberta, rostos como caras de crianças mi-
madas e caprichosas, caras de homens que poderiam — como último re-
curso — lutar, mas que se lamentariam quase interminavelmente antes de
fazê-lo; você poderia pôr suas tripas para fora em cima dos sapatos e suas
últimas expressões não seriam de raiva ou agonia, mas sim de estúpida
surpresa.
O prisioneiro era melhor... mas não o bastante. Não bom de todo. A mulher do exército. Ela viu alguma coisa. Não sei o quê, mas viu
alguma coisa errada. Ela concede uma atenção a ele que sem dúvida não
concede aos outros.
O prisioneiro se sentou. Olhava para um livro de capa mole no qual
pensava como "re-vista", embora as coisas que estava vendo ou o fato de
não ser a primeira vez que as via nada representasse para Roland. O
pistoleiro não queria olhar para um livro, por mais que o que ele continha
fosse impressionante; queria olhar para a mulher de uniforme do exército.
O impulso de se adiantar e assumir o controle era muito grande. Mas ele
resistiu... pelo menos por um instante.
O prisioneiro tinha ido a algum lugar e conseguido uma droga. Não
a droga que ele próprio tomava, nem nada capaz de ajudar a curar o corpo
doente do pistoleiro, mas uma droga que custava muito dinheiro porque
era ilegal. Ele daria essa droga ao irmão, que por sua vez a daria a um
homem chamado Balazar. O pacto se completaria quando Balazar desse a
eles o tipo de droga que os dois tomavam — se, é claro, o prisioneiro
conseguisse executar corretamente um ritual desconhecido para o pistoleiro
(e um mundo tão estranho quanto aquele devia necessariamente ter mui-
tos rituais estranhos); o ritual se chamava Passar pela Alfândega.
Mas a mulher o está vendo.
Será que ela poderia impedi-lo de Passar pela Alfândega? Roland achou
que a resposta provavelmente era sim. E depois? Prisão. E se o prisioneiro