A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Stephen King · Capítulo 64 de 274

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A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

mastigada, como se estivesse acabando o último…

mastigada, como se estivesse acabando o último pedaço de alguma coisa. Ao se aproximar do homem negro na direção das placas BAGAGEM e

TRANSPORTE URBANO, conseguiu até fabricar um arroto.

— Não gostou de nenhuma camisa? — perguntou Eddie. — Como disse? — o rapaz negro afastou os olhos do quadro de

partidas da American Airlines que fingia examinar.

— Achei que talvez estivesse procurando uma com as inscrições POR

FAVOR, DÊ UMA FORÇA, SOU FUNCIONÁRIO DO GOVERNO AMERICANO — disse Eddie, e continuou andando.

Quando começou a descer a escada, viu a mulher que revirava a bolsa

fechá-la apressadamente e ficar de pé.

Ah, garoto, isto está sendo mais divertido que a parada do Dia de Ação

de Graças da Macy 's.

Fora um dia do cacete e Eddie achava que ainda não tinha acabado.

 

Durante o interrogatório, ao ver as coisas-lagostas saindo de novo das ondas (seu avanço, então, não tinha relação com a maré; era a escuridão

que as trazia), Roland deixara Eddie Dean pela primeira vez para mexer seu próprio corpo antes que as criaturas pudessem encontrá-lo e comê-lo.

Roland já estava preparado para a dor em seu corpo. Estava há tanto

tempo com ela que já eram quase velhos amigos. Se apavorara, contudo, com a rapidez com que a febre aumentava e sua energia diminuía. Se não

estivesse morrendo antes, com toda a certeza estaria morrendo agora. Ha-veria algo suficientemente poderoso no mundo do prisioneiro para impedir que isso acontecesse? Talvez. Mas se não conseguisse um pouco da coisa

nas próximas seis ou oito horas, o assunto não teria mais importância. Se a situação fosse adiante, nenhum medicamento ou magia daquele ou de qualquer outro mundo seria capaz de deixá-lo novamente em forma.

Andar era impossível. Teria de rastejar.

Estava disposto a começar quando seu olho se fixou na tira retorcida

de coisa pegajosa com os saquinhos de pó-do-diabo. Se deixasse a coisa

ali, as lagostrosidades quase certamente rasgariam os sacos. A brisa marinha espalharia o pó aos quatro ventos, que é para onde ele deveria ir, o pistoleiro pensou sombriamente. Não podia, no entanto, fazer isso. Em

pouco tempo Eddie Dean entraria num longo túnel de problemas se não conseguisse apresentar aquele pó. Raramente era possível enganar homens do tipo que ele achava que Balazar devia ser. Balazar iria querer

examinar a mercadoria pela qual pagara e, até mostrá-la, o número de revólveres que Eddie teria apontados contra si seriam suficientes para

equipar um pequeno exército.O pistoleiro puxou a tira retorcida de coisa grudenta e pendurou-a no pescoço. Depois começou a avançar praia acima.

Tinha rastejado vinte metros — quase o suficiente para se considerar

a salvo — quando a horrível (ainda que cosmicamente engraçada) percep-ção de estar se afastando da porta o assaltou. Por que razão, em nome de

Deus, ele estava passando por tudo isso?

Virou a cabeça e viu a porta. Só que ela não estava lá embaixo na

praia, mas a um metro atrás. Por um momento Roland ficou parado, entendendo o que já teria entendido se a febre e a barulheira dos Inquisi-

dores martelando intermináveis perguntas no ouvido de Eddie (onde fez isso, como fez isso, por que fez isso, quando fez isso — perguntas que pare-ciam se misturar assustadoramente às perguntas dos horrores rastejantes

que vinham avançando furtivas, serpenteando na orla das ondas: Choc? Chum? Chie?) não tivessem transformado todas as coisas em mero delírio.

Ou quase nisso.

Agora levo a porta comigo para onde quer que vá, pensou ele, exata-

mente como acontece com Eddie. Isto vai nos acompanhar para todo lado, como uma maldição de que jamais poderemos nos livrar.

Tudo aquilo parecia absolutamente verdadeiro, inquestionável... tão

inquestionável quanto uma outra coisa.

Se a porta entre eles um dia se fechasse, ficaria fechada para sempre. Quando isso acontecer, Roland pensou sombriamente, ele tem de estar

deste lado. Comigo.

Que modelo de virtude é você, pistoleiro!, riu o homem de preto. Ele

parecia ter fixado residência permanente dentro da cabeça de Roland. Matou o garoto; foi esse o sacrifício que permitiu que você me alcançasse e, suponho,

que permitiu a criação da porta entre os mundos. Agora você pretende puxar suas três cartas, uma por uma, e condenar todos a algo que não desejaria nem