A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
— Os anéis. Ver aquilo realmente mexeu…
— Os anéis. Ver aquilo realmente mexeu com ela. Ela tentou não
demonstrar, mas ficou muito confusa, não há dúvida.
— Se essas duas mulheres — perguntou Roland — não sabem que
existem no mesmo corpo e se nem mesmo suspeitam de que possa haver algo errado, se cada uma tem sua própria cadeia de lembranças, parcialmente real
mas parcialmente inventada para justificar o período em que a personalidade oposta está lá, o que vamos fazer? Como vamos conseguir conviver com a
Dama?
Eddie deu de ombros.
— Não me pergunte — disse ele. — O problema é seu. É você quem
diz que precisa dela. Diabo, você arriscou o pescoço para trazê-la até aqui. — Eddie pensou mais um minuto no assunto, lembrando de como estive-ra acocorado na frente do corpo de Roland com a faca suspensa sobre a
garganta dele. De repente estava rindo, mas sem humor. LITERALMEN-TE arriscou seu pescoço, cara, pensou ele.
Um silêncio caiu. Odetta tinha começado a respirar mais serena-
mente. Quando o pistoleiro ia reiterar sua advertência para Eddie ficar de guarda e informá-lo de que iria dormir (alto o bastante para a Dama ou-vir, se ela estivesse apenas fingindo), Eddie disse a coisa que iluminou a
mente de Roland como um repentino clarão, a coisa que o fez compreen-der ao menos parte do que precisava tão intensamente saber.
Foi no fim, quando eles atravessaram...
Ela mudara no fim.
E Eddie tinha visto alguma coisa, alguma coisa... — Vou lhe dizer uma coisa — disse Eddie, mexendo com ar
deprimido nas cinzas da fogueira com uma garra retirada da lagosta
morta naquela noite —, quando você atravessou com ela, achei que eu fosse esquizofrênico.
— Por quê?
Eddie pensou, depois deu de ombros. Era muito difícil explicar ou
talvez ele estivesse apenas cansado demais.
— Não tem importância.
— Por quê?
Eddie olhou para Roland, viu que ele estava fazendo uma pergunta
séria por uma razão séria — ou pelo menos achava isso — e demorou um
minuto para começar.