A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Stephen King · Capítulo 169 de 274

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A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

— Por que vocês não comem o…

— Por que vocês não comem o PAU um do outro?— guinchou a coisa

que se debatia na cadeira. — Pru qui não fazem logo isso se tão cum medo da

boceta duma preta? Andi logo com isso! Ô! Chupem o mastro um do outro! Façam isso enquanto podem pru qui Detta Walker vai conseguir saí desta cadeira e tira toda a pele branca dus mastru fora e dá u restu praquelas

serras ambulantes que tão andando lá embaixo!

— Ela é a mulher em que eu entrei. Agora acredita em mim?

— Acreditei antes em você — disse Eddie. — Já lhe disse isso. — Você acreditou que acreditou. Acreditou com uma parte da

mente. Será que agora as outras partes já aceitaram a idéia? Até o fundo?

Eddie olhou para a coisa estridente, convulsionada na cadeira e de-

pois desviou a cabeça, o rosto todo branco com exceção do talho no quei-

xo, de onde o sangue ainda pingava um pouco. Esse lado do rosto estava começando a ficar meio parecido com um balão.

— Claro — disse ele. — Por Deus, claro.

— Essa mulher é um monstro.

Eddie começou a chorar.

O pistoleiro teve vontade de consolá-lo, não pôde cometer tal sacrilé-

gio (lembrava-se muito bem de Jake) e saiu caminhando para a escuridão com aquela nova febre queimando e doendo dentro dele.

 

Naquela noite, bem mais cedo, enquanto Odetta ainda dormia, Eddie

disse que talvez entendesse o que havia de errado com ela. Talvez. O

pistoleiro perguntou o que ele queria dizer.

— Pode ser esquizofrênica.

Roland só sacudiu a cabeça. Eddie explicou o que sabia de esquizo-

frenia, noções recolhidas de filmes como As Três Faces de Eva e vários programas de TV (em particular as novelas que costumava assistir com

Henry quando os dois estavam doidões). Roland aquiescia. Sim. A doen-

ça que Eddie descrevia parecia se adaptar àquilo. Uma mulher com duas faces, uma luminosa e uma sombria. Sombria como a que o homem de

preto mostrara ao pistoleiro na quinta carta de tarô.

— E eles não sabem... esses esquizofrênicos... que têm mais de uma cara?