A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
— Por que vocês não comem o…
— Por que vocês não comem o PAU um do outro?— guinchou a coisa
que se debatia na cadeira. — Pru qui não fazem logo isso se tão cum medo da
boceta duma preta? Andi logo com isso! Ô! Chupem o mastro um do outro! Façam isso enquanto podem pru qui Detta Walker vai conseguir saí desta cadeira e tira toda a pele branca dus mastru fora e dá u restu praquelas
serras ambulantes que tão andando lá embaixo!
— Ela é a mulher em que eu entrei. Agora acredita em mim?
— Acreditei antes em você — disse Eddie. — Já lhe disse isso. — Você acreditou que acreditou. Acreditou com uma parte da
mente. Será que agora as outras partes já aceitaram a idéia? Até o fundo?
Eddie olhou para a coisa estridente, convulsionada na cadeira e de-
pois desviou a cabeça, o rosto todo branco com exceção do talho no quei-
xo, de onde o sangue ainda pingava um pouco. Esse lado do rosto estava começando a ficar meio parecido com um balão.
— Claro — disse ele. — Por Deus, claro.
— Essa mulher é um monstro.
Eddie começou a chorar.
O pistoleiro teve vontade de consolá-lo, não pôde cometer tal sacrilé-
gio (lembrava-se muito bem de Jake) e saiu caminhando para a escuridão com aquela nova febre queimando e doendo dentro dele.
Naquela noite, bem mais cedo, enquanto Odetta ainda dormia, Eddie
disse que talvez entendesse o que havia de errado com ela. Talvez. O
pistoleiro perguntou o que ele queria dizer.
— Pode ser esquizofrênica.
Roland só sacudiu a cabeça. Eddie explicou o que sabia de esquizo-
frenia, noções recolhidas de filmes como As Três Faces de Eva e vários programas de TV (em particular as novelas que costumava assistir com
Henry quando os dois estavam doidões). Roland aquiescia. Sim. A doen-
ça que Eddie descrevia parecia se adaptar àquilo. Uma mulher com duas faces, uma luminosa e uma sombria. Sombria como a que o homem de
preto mostrara ao pistoleiro na quinta carta de tarô.
— E eles não sabem... esses esquizofrênicos... que têm mais de uma cara?