A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Stephen King · Capítulo 95 de 274

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A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Capítulo 12

 

Andolini não sabia o que tinha acontecido. Parte dele tinha certeza que enlouquecera, parte jurava que Eddie o havia drogado, lavado seu cérebro

ou coisa do gênero, parte acreditava que o vingativo Deus de sua infância finalmente se cansara de suas maldades, o extirpara do mundo que ele conhecia e o colocara naquele estranho purgatório.

Então viu a porta, que permanecia aberta, derramando um feixe de

luz branca — a luz do banheiro de Balazar — sobre o solo rochoso e compreendeu que era possível voltar. Acima de tudo, Andolini era um

homem prático. Podia se preocupar mais tarde com o que tudo aquilo significava. Por enquanto pretendia matar aquele maluco e voltar por aquela

porta.

A energia que o abandonara durante o momento de espanto fluía de

volta. Percebeu que Eddie estava tentando tirar-lhe a pequena mas muito

eficiente Colt Cobra da mão, e quase havia conseguido. Jack puxou-a de volta com um palavrão, tentando apontar, mas Eddie agarrou-o de imediato pelo braço.

Andolini acertou um joelho no músculo principal da coxa direita de

Eddie (a cara gabardine da calça social de Andolini estava agora encrusta-da da suja areia cinzenta da praia) e Eddie gritou quando o músculo se

contraiu.

Roland, gritou ele. Me ajude! Pelo amor de Deus, me ajudei Andolini virou bruscamente para o lado e o que viu tornou nova-

mente a fazê-lo perder o equilíbrio. Havia um sujeito parado ali... só que parecia mais um fantasma que uma pessoa. E não exatamente Gasparzinho, o Fantasma Camarada. O rosto abatido, esbranquiçado daquele vulto os-

cilante tinha a barba por fazer. A camisa estava em farrapos, que esvoaça-vam como fitas contorcidas, mostrando o contorno cavado das costelas. Tinha um trapo sujo enrolado na mão direita. Parecia doente, doente ou

moribundo, mas ainda assim suficientemente duro para fazer Andolini se sentir como um ovo cozido de gema mole.

E o palhaço tinha um par de revólveres.

As armas pareciam mais velhas que todo aquele cenário, velhas o

bastante para terem saído de um museu do Velho Oeste... mas ainda

assim continuavam sendo revólveres, talvez até ainda atirassem, e Andolini de repente achou que logo teria problemas com aquele homem de cara esbranquiçada... a não ser que ele fosse realmente um fantasma

e, nesse caso, nenhuma providência poderia ser tomada, portanto não fazia sentido ficar se preocupando.Andolini se livrou de Eddie e rolou para a direita, quase nem sentindo a ponta da pedra que rasgava seu

paletó esporte de quinhentos dólares. Nesse momento, o pistoleiro puxou um revólver com a mão esquerda e o saque foi como sempre fora (estivesse ele doente ou não, acordado de todo ou meio adormecido): mais

rápido que o risco azul de um relâmpago de verão.

Estou perdido, pensou Andolini, cheio de mórbida fascinação. Meu

Deus, nunca vi ninguém mais rápido que ele! Estou perdido, Santa Maria

Mãe de Deus, ele vai acabar comigo, vai...

O homem com a camisa rasgada puxou o gatilho do revólver em

sua mão esquerda e Jack Andolini achou — realmente achou — que estava morto. Então percebeu que fora apenas um clique seco, não um

disparo.

Falhou.

Sorrindo, Andolini ficou de joelhos e ergueu sua própria arma. — Não sei quem é você, mas pode dar adeus à vida, fantasma de

merda — disse ele.

 

13

 

Eddie se levantou, tremendo, o corpo nu coberto de pele arrepiada. Viu

Roland sacar o revólver, ouviu o clique seco que devia ter sido um tiro, viu Andolini ficar de joelhos, ouviu-o dizer alguma coisa e, antes mesmo que pudesse compreender o que estava fazendo, sua mão encontrou um

áspero pedaço de rocha. Arrancou-o do solo arenoso e atirou-o com toda a força que pôde.

A pedra atingiu Andolini bem atrás da cabeça e ricocheteou. O san-

gue jorrou de uma fenda irregular que surgiu no couro cabeludo de Jack Andolini. Andolini atirou, mas a bala que certamente teria matado o pistoleiro se extraviou.