A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
Capítulo 8
Não há problema, disse o pistoleiro. Deixe ele vir.
Mas... mas...
Mal conseguindo manter o controle, Eddie estava quase movendo os
lábios. Não se tratava apenas da súbita mudança de regras que Balazar
impunha, mas de sua persistente preocupação com Henry e do que, aos poucos, ia se sobrepondo a qualquer outra coisa: a necessidade de uma
dose.
Deixe ele vir. Não vai haver problema. Preste atenção...
Eddie prestou.
Balazar o observava. Um homem magro e nu com apenas uma leve postura de peito cavado típica de um viciado, e a cabeça inclinada para o lado. Ao observá-lo, Balazar sentiu um pouco de sua autoconfiança se
evaporar. Era como se o garoto estivesse ouvindo uma voz que só ele podia escutar.
O mesmo pensamento passou pela cabeça de Andolini, mas de uma
forma diferente: O que é isso? Ele parece atento como o cachorro daqueles velhos discos da RCA Victor!
Col quisera lhe dizer alguma coisa sobre os olhos de Eddie. Jack
Andolini se arrependeu de não ter prestado atenção.
Vacilada na cabeça, cagada na mão, pensou.
Então, se Eddie estava ouvindo vozes dentro de sua cabeça, de re-
pente elas deviam ter parado de falar, porque ele deixou de prestar atenção.
— Tudo bem — disse Eddie. — Vamos lá, Jack. Vou lhe mostrar a
Oitava Maravilha do Mundo. — Exibiu rapidamente um sorriso de que Jack Andolini e Enrico Balazar não gostaram nem um pouco.
— Será que vai mesmo? — Andolini tirou um revólver do coldre
tipo bolsa que usava de um lado das costas, preso no cinto. — Será que vou ficar mesmo espantado?
O sorriso de Eddie ficou maior.
— Ah, vai. Acho que isso vai deixá-lo inteiramente fora de órbita.