A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
Ele próprio puxou duas vezes o gatilho…
Ele próprio puxou duas vezes o gatilho do 357. O Magnum era
quase tão barulhento quanto o revólver de Roland. Não fez buracos si-
métricos na parede onde Roland se agachava; as balas produziram enor-mes rombos no compensado, de ambos os lados da cabeça de Roland. A
luz esbranquiçada do banheiro brilhava através dos buracos em raios irregulares.
Roland puxou o gatilho de seu revólver.
Apenas um clique seco.
Falhou.
— Eddie!— gritou o pistoleiro, e Eddie apontou seu próprio
revólver e puxou o gatilho.
O estrondo foi tão alto que, por um momento, Eddie achou que o
revólver havia explodido em sua mão, como acontecera com o de Jack. O
coice não o jogou contra a parede, mas fez o braço executar um arco selva-gem que mexeu com todos os seus tendões.
Viu parte do ombro de Balazar se desintegrar num borrifo vermelho,
ouviu Balazar dar um guincho como um gato ferido, e gritou:
— O drogado não é perigoso, foi o que você disse? Foi isso, seu fodido de
merda? Não quis se meter comigo e com meu irmão? Vou mostrar quem é
perigoso! Vou mostrar...
Houve um estrondo de granada quando o cara da despensa usou
a pistola. Eddie rolou enquanto a detonação abria uma centena de pe-
quenos buracos nas paredes e na porta do banheiro. Sua pele nua ficou chamuscada em várias partes e sem dúvida, se o sujeito estivesse mais per-
to, onde o ângulo de saída do explosivo era mais estreito, ele teria sido
pulverizado.
Droga, vou morrer de qualquer maneira, pensou, observando o cara
da despensa soltando o tambor da Remington, enchendo-o de nova mu-nição e apoiando melhor a arma no antebraço. Estava sorrindo. Tinha
dentes muito amarelos — Eddie achou que realmente há muito tempo
não viam uma escova de dentes.
Meu Deus, vou ser morto por um fodido de dentes amarelos e sequer sei o
nome dele, pensou Eddie sombriamente. Mas pelo menos meto uma bala em
Balazar. Isso pelo menos eu faço. Não sabia se Roland teria outra bala. Não conseguia lembrar.