A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Stephen King · Capítulo 55 de 274

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A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

— Parece uma listra. É como se…

— Parece uma listra. É como se você tivesse alguma coisa amarrada

aí, Eddie, e de uma hora para outra tivesse achado uma boa idéia rasgar a

fita e jogar tudo fora.

— Peguei uma alergia nas Bahamas — disse Eddie. — Já lhe disse

isso. Olhe, já falamos tudo muitas vezes. Estou tentando manter meu

senso de humor, mas está ficando cada vez mais difícil.

— Foda-se o seu senso de humor — disse um outro num tom

descontrolado, e Eddie reconheceu o tom. Era o modo como sua própria voz soava quando passava metade de uma noite no frio esperando pelo homem e o homem não vinha. Porque aqueles caras eram viciados,

também. A única diferença era que caras como ele e Henry eram a droga deles.

— E esse corte na sua barriga? De onde veio isso, Eddie? Algum

trabalhinho amador de limpeza de vidros? — Um terceiro agente apontava para o lugar onde Eddie havia se cortado. Finalmente tinha parado de sangrar, mas ainda se via uma bolha muito roxa, que parecia

mais do que pronta a se abrir à menor contrariedade.

Eddie indicou a faixa vermelha onde a fita estivera.

— Está coçando — disse ele. Não era mentira. — Acabei dormindo

com o cinto... pergunte à aeromoça se não acredita em mim...

— Por que não acreditaríamos em você, Eddie?

— Não sei — disse Eddie. — Estão acostumados a pegar grandes

traficantes que chegam aqui cochilando? — Fez uma pausa, deu a eles um segundo para pensar e estendeu as mãos. Algumas unhas estavam sujas. Outras roídas. Ele havia descoberto que, quando a fissurinha co-

meça, as unhas se tornam sua goma de mascar favorita. — Sou muito bom em não coçar, mas devo ter me arranhado pra burro enquanto

estava dormindo.

— Ou enquanto estava trincado. Isto poderia ser uma marca de agu-

lha. — Eddie percebeu que os dois sabiam que não era. Se o sujeito se pica assim tão perto do plexo solar, que é o painel de controle do sistema nervoso, nunca mais vai se picar de novo.

— Me dá um tempo — disse Eddie. — Você chegou tão perto da

minha cara pra ver minhas pupilas que eu achei que ia levar um beijo de língua. Sabe que eu não estava trincado.

O terceiro agente da alfândega pareceu enervado.