A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
Ficava no horizonte de uma vasta planície…
Ficava no horizonte de uma vasta planície que ganhara cor de sangue
na violenta descida de um sol poente. Não podia ver os degraus que su-biam numa espiral cada vez mais alta atrás das paredes de tijolos, mas podia ver janelas que se estendiam em outra espiral ao longo da escada, e podia ver os fantasmas de todas as pessoas que já tinha conhecido passan-do por elas. Marchavam cada vez mais para o alto e um vento árido lhe trouxe o som de vozes chamando seu nome.
Roland... venha... Roland... venha... venha... venha...
— Vou — sussurrou ele, e sentou-se de imediato, acordado, suando
e tremendo como se a febre ainda estivesse em seu corpo.
— Roland?
Eddie.
— Sim.
— Pesadelo?
— É. Brabo. Negro.
— Com a Torre?
— Sim.
Olharam para Susannah, que continuava dormindo, impassível. Um
dia havia existido ali uma mulher chamada Odetta Susannah Holmes; mais tarde, havia existido outra chamada Detta Susannah Walker. Agora havia uma terceira: Susannah Dean.
Roland gostava dela porque era uma mulher de fibra, que nunca desis-
tiria; temia, no entanto, por ela, porque sabia que se fosse preciso a sacrifica-ria — a ela e a Eddie — sem um instante de dúvida ou um olhar para trás.
Pela Torre.
Pela amaldiçoada Torre.
— Hora do comprimido — disse Eddie.
— Não quero mais comprimidos.
— Tome o remédio e cale a boca.
Roland engoliu o comprimido com um esguicho da água fria de um
dos cantis, depois arrotou. Não fazia mal. Era um arroto carnudo.
— Sabe para onde estamos indo? — perguntou Eddie.
— Para a Torre.
— Bem, claro — disse Eddie —, mas me sinto como um bronco que
saiu do Texas sem um mapa dizendo que ia para uma porra qualquer de lugar no Alasca. Onde ela fica? Em que direção?