A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Stephen King · Capítulo 244 de 274

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A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

— Uma o quê?— O'Mearah perguntou.

Dessa vez houve uma longa pausa. A testa do homem se enrugou.

— Não sei exatamente como se diz... uma coisa onde ele guarda o

revólver. Para abrir é preciso apertar...

— Um gancho de mola! — disse Delevan. — Grande merda! —

Outra troca de olhares entre os parceiros. Nenhum dos dois queria ser o

primeiro a dizer àquele sujeito que Johnny Gordo provavelmente já

colhera a grana de sua carteira, fizera passar o traseiro pela porta dos

fundos e atirara o couro vazio pelo muro do beco atrás do prédio... mas

uma arma num gancho... isso era diferente. Furto era apenas uma

possibilidade, mas sem a menor dúvida a acusação por ocultação de arma

parecia certa. Talvez não fosse tão boa quanto furto, mas era um pé na

porta.

— E aí? — perguntou O'Mearah.

— Aí ele me disse que eu não tinha carteira nenhuma. Disse... —

pausa — que eu devia ter caído na rua, quero dizer, que a carteira devia ter

caído na rua e que era melhor eu me lembrar logo disso se quisesse ficar

com a cara no lugar. Então lembrei de ter visto o carro de vocês estaciona

do na quadra e achei que talvez ainda estivessem por aqui. Então vim.

— Tudo bem — disse Delevan. — Vou entrar na frente com meu

parceiro, e já. Pode nos dar um minuto — um minuto completo —, por

que pode surgir algum problema. Depois entre, mas fique junto da porta.

Está entendendo?

— Estou.

— Tudo bem. Vamos pegar este filho-da-puta.

Os dois tiras entraram. Roland esperou trinta segundos e foi atrás.

 

"Johnny Gordo" Holden estava fazendo mais do que protestar. Estava

berrando.

— O cara é maluco! O cara entrou aqui, não tinha a menor idéia do que queria, então viu as balas na Bíblia do Atirador, mas nem sabia quantas vinham numa caixa, quanto custava e o que ele contou sobre eu pedir

para ver mais de perto o porte de arma é a mentira mais escrota que eu já ouvi, porque ele não tem porte de arma... — Johnny Gordo se interrompeu. — Ali está ele! Ali está o nojento! Venha cá! Estou

fotografando você, parceiro! Estou guardando a sua cara! Da próxima vez que você vir a minha vai lamentar pra cacete! Tenha certeza disso! A mais puta certeza...

— Não está com a carteira deste homem? — perguntou O'Mearah. — Você sabe que não estou com a carteira dele! — Se importa se eu der uma olhada atrás desse balcão? — insistiu

Delevan. — Só pra ter certeza!

— Porra-de-merda-de-um-cacete! O balcão é de vidro! Está vendo

alguma carteira em algum lugar?

— Não, não em algum lugar... Estou querendo dizer aqui — disse

Delevan, movendo-se para a caixa registradora. Sua voz foi um ronronar

de gato. Perto da caixa, um faixa reforçada de aço cromado com meio metro de largura corria pela borda do balcão. Delevan se virou para trás,

para o homem no terno azul, que assentiu.

— Quero vocês fora daqui agora! — falou Johnny Gordo. Tinha

perdido um pouco de sua cor. — Voltem com um mandado, aí sim. Mas

por ora, quero vocês dois fora daqui! Ainda estou na porra de um país livre, vocês sab... ei! Ei! Ei, PARE COM ISSO!

O'Mearah espiava por cima do balcão.

— Isso é ilegal! — gritava Johnny Gordo. — É ilegal pra cacete, a

Constituição... a porra do meu advogado... dê meia-volta neste minuto ou...

— Só quis olhar mais de perto a mercadoria — disse O'Mearah num

tom suave —, porque o vidro do balcão está imundo. Foi por isso que eu

quis olhar mais de perto. Não é, Carl?

— Pura verdade, parceiro — disse Delevan solenemente. — E olhe o que eu achei.

Roland ouviu um clique na caixa registradora e de repente a mão do

pistoleiro de uniforme azul estava segurando um revólver realmente grande.

Percebendo, enfim, que era a única pessoa naquele lugar capaz de

contar uma história diferente do conto de fadas inventado pelo policial

que pegara sua Magnum, Johnny Gordo ganhou um ar sombrio.

— Tenho uma licença para isso — disse ele.

— Para portar uma arma? — perguntou Delevan.

— É.