A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Stephen King · Capítulo 204 de 274

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A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

— Ah, pode brigar. Pode brigar o quanto quiser.

— Quer brigar?

— Ah, pode brigar. Pode brigar o quanto quiser.

Após encarar meditativamente os olhos quase cor de avelã de Eddie,

ela sorriu um tanto desanimada.

— Não vou brigar, eu acho. — Pegou o revólver. — Por favor, volte

o mais depressa que puder.

— É o que vou fazer. — Tornou a beijá-la, dessa vez apressado, e

quase pediu para que ela tivesse cuidado... mas falando sério, pessoal, o que significava dizer essas coisas numa situação daquelas?

Começou a descer a encosta por entre sombras cada vez mais escuras

(as lagostrosidades ainda não tinham aparecido, mas não demorariam a iniciar seu passeio noturno) e tornou a olhar para as palavras escritas na

porta. O mesmo arrepio brotou em sua carne. Eram adequadas aquelas palavras. Deus, eram muito adequadas. Então virou a cabeça e observou a encosta. Por um momento não conseguiu ver nada, mas de repente repa-

rou que algo se mexia. O marrom mais claro de uma palma de mão. Ela estava dando adeus.

Retribuiu o aceno, virou a cadeira de rodas e começou a correr com

o estribo de metal suspenso e as rodas da frente, menores e mais delicadas, sempre no ar. Correu para o sul, pelo mesmo caminho por onde viera. Aproximadamente pela primeira meia hora, sua sombra correu com ele, a

improvável sombra de um gigante esquálido presa às solas de seus tênis e se esticando longos metros para o leste. Então o sol caiu de todo, a sombra

sumiu e as lagostrosidades começaram a despontar das ondas.

Cerca de dez minutos após ter ouvido o primeiro silvo das criaturas,

Eddie levantou a cabeça e viu a estrela-d'alva brilhando tranqüila contra o

aveludado azul-escuro do céu.

Camadas celestiais da noite estão caindo... é hora do crepúsculo...

Que não aconteça nada com ela. Suas pernas já estavam doendo, a

respiração ficara quente e pesava demais nos pulmões e havia ainda uma terceira viagem a fazer, dessa vez com o pistoleiro como passageiro. Em-

bora soubesse que o peso de Roland ultrapassaria o de Odetta em quase cinqüenta quilos e achasse conveniente poupar energia, Eddie continuou num passo bem acelerado. Que não aconteça nada com ela, esse é o meu

desejo, que minha bem-amada fique a salvo.