A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
Ele iria sair do negócio de serrar…
CHEGA.
Ele iria sair do negócio de serrar ossos. Iria sair porque:
CHEGA ERA CHEGA.
Iria sair porque o lema de Popeye era isso é tudo que posso agüentar,
não posso suportar mais que isso, e Popeye estava certíssimo.
Deu a descarga no vaso, voltou para a cama, dormiu quase instanta-
neamente e acordou percebendo que ainda queria ser médico, e era muito
bom ter certeza disso, talvez o programa estivesse mesmo valendo a pena, quer o chamassem de Maratona de Emergência, Balde de Sangue ou Qual é a Música.
Ainda queria ser médico. Conhecia uma senhora que fazia bordados. Pagou-lhe dez dólares,
que não tinha para gastar, por um pequeno retângulo de tecido, de apa-
rência antiquada, dizendo:
SE VOCÊ PODE SUPORTAR ISTO,
PODE SUPORTAR QUALQUER COISA
Sim. Correto.
O sangrento negócio do metrô aconteceu quatro semanas depois.
— Era uma senhora esquisita pra cacete, sabia? — disse Júlio.
Por dentro, George suspirou de alívio. Se Júlio não houvesse puxado
o assunto, ele não teria dito nada. George era um interno e um dia seria médico habilitado, agora realmente acreditava nisso; mas Júlio era um
veterano de guerra e não se podia dizer uma coisa estúpida na frente de um veterano. O veterano se limitaria a rir e a comentar: Cara, eu vi essa merda milhares de vezes, garoto. Pegue uma toalha e enxugue atrás das ore-
lhas, porque está muito suado e o suor está escorrendo pelo lado do rosto.
Mas aparentemente Júlio não tinha visto aquilo milhares de vezes, o
que era bom, porque George queria conversar sobre o assunto.
— Era esquisita, sem dúvida. Era como se fosse duas pessoas.