A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
— Tire a roupa — disse Cláudio,…
— Tire a roupa — disse Cláudio, apontando agora seu revólver con-
tra Eddie.
Eddie começou a tirar as roupas.
Não estou gostando disto, pensou Balazar enquanto esperava Jack Andolini
sair do banheiro. Estava assustado. De repente começara a suar não ape-
nas debaixo dos braços ou no meio das pernas — lugares onde suava mes-mo no rigor do inverno, naqueles dias mais frios que a lâmina congelada
de uma faca —, mas por todo o corpo. Eddie viajara como um viciado
comum — um viciado esperto., mas ainda assim viciado, alguém que podia ser puxado para qualquer parte pelo anzol em seu saco — e voltara pare-
cendo... parecendo o quê? Parecendo que havia crescido, mudado.
Como alguém que tivesse sido forçado a engolir parte de uma outra
pessoa.
Sim. Era isso. E sempre a droga. A porra da droga. Jack revirava o
banheiro e Cláudio revistava Eddie com toda a ferocidade de um guarda sádico de prisão; Eddie permanecia com um ar impassível, um ar que
Balazar jamais teria acreditado possível ver em Eddie ou em qualquer ou-tro usuário de drogas. Cláudio cuspiu quatro vezes na palma esquerda da
mão, esfregou a saliva grudenta por toda a mão direita e enfiou-a no cu de
Eddie até o pulso e alguns centímetros a mais.
Não havia droga naquele banheiro, não havia droga do lado de fora
ou de dentro do corpo de Eddie. Não havia droga nas roupas de Eddie, no
casco ou na mala. O que sobrava, então, era a possibilidade de Eddie estar blefando.
Olhe para a minha cara e me diga se não estou dizendo a verdade.
E ele olhou. E o que viu foi perturbador. Viu que Eddie Dean estava
perfeitamente confiante: pretendia mesmo entrar no banheiro e voltar
com metade da mercadoria.
O próprio Balazar quase acreditou nisto.