A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Stephen King · Capítulo 240 de 274

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A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

— O negociador. O... — Uma breve…

— O negociador. O... — Uma breve pausa. — O balconista.

O'Mearah e Carl Delevan trocaram um olhar.

— Cabelo preto? — perguntou Delevan. — Meio atarracado?

— Sim. — De novo uma pausa muito breve. — Olhos castanhos.

Uma pequena cicatriz embaixo de um deles.

Havia algo naquele sujeito... 0'Mearah não conseguiu identificar o

que naquele momento, mas lembrou-se disso mais tarde, quando já não

havia muitos outros assuntos em que pensar. Dos temas restantes, o mais

importante era o fato de a insígnia dourada de detetive não mais importar;

o simples fato de terem conseguido conservar os empregos já poderia ser

considerado puro e simples milagre.

Mas anos mais tarde houve um breve momento de revelação quando

O'Mearah levou os dois filhos ao Museu da Ciência em Boston. Tinham uma

máquina ali — um computador — que fazia tic-tac-tou e a não ser que você

selecionasse um X no quadrado do meio logo de cara, a máquina rejeitaria

todas as suas tentativas posteriores de identificação. Havia sempre uma pausa

enquanto ela checava todas as possíveis combinações. Ele e os filhos ficaram

fascinados. Mas havia alguma coisa fantástica naquilo... e então O'Mearah

se lembrou do homem de terno azul. Lembrou-se porque o Terno Azul

tinha aquela mesma mania. Falar com ele fora como falar com um robô.

Delevan não teve a mesma sensação, mas uma noite, nove anos mais

tarde, quando levou seu próprio filho (então com 18 anos e prestes a en-

trar para a universidade) ao cinema, cerca de trinta minutos depois de o

filme começar, ficou inesperadamente de pé e gritou: É ele! É ELE! É o cara

da porra do terno azul! O cara que estava no Cie...

Alguém gritou cala essa boca!, mas foi uma reclamação inútil; Delevan,

mais de 30 quilos acima do peso e fumante pesado, seria fulminado por

um ataque do coração fatal antes de o queixoso acabar de pronunciar a

segunda palavra. O homem de terno azul que se aproximou naquele dia

daquele carro-patrulha e contou a eles sobre o roubo de sua carteira não

era parecido com o astro do filme, mas as palavras ditas de modo inteira-

mente amorfo tinham sido as mesmas; assim como o modo um tanto

rígido, mas gracioso, como ele se movia também era o mesmo.

O filme, é claro, chamava-se O Exterminador do Futuro.