A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
Eddie se limitou a olhá-lo, agora sem…
Eddie se limitou a olhá-lo, agora sem coçar, sem fazer qualquer
movimento.
Uma brisa fraca soprou uma embalagem de quentinha pelo estacio-
namento. O barulho áspero de seu vôo deslizante e a batida ofegante dos
pistões mal regulados da van de entrega das pizzas eram os únicos sons.
O sorriso esperto de Col começou a vacilar.
— Suba aqui, Eddie — disse Jack sem olhar para o lado. — Vamos
dar um passeio.
— Por onde? — perguntou Eddie, com ar pensativo.
— Pela casa de Balazar. — Jack não olhava para o lado. Flexionou
uma vez as mãos sobre o volante. Um grande anel, todo de ouro maciço
com exceção da pedra de ônix que se destacava como olho de um inseto
gigante, cintilou no terceiro dedo de sua mão direita. — Ele quer saber
sobre a mercadoria.
— Está comigo. A salvo.
— Ótimo. Então ninguém tem nada com que se preocupar — disse
Jack Andolini, que continuou sem olhar para o lado.
— Acho que quero passar lá em cima primeiro — disse Eddie. —
Mudar de roupa, dizer alô ao Henry...
— E colocar alguma coisa na cabeça, aposto que sim — disse Col
mostrando o grande sorriso de dentes amarelos. — Só que não tem mais
nada lá para você tomar, meu chapa.
Chac?, o pistoleiro pensou na mente de Eddie, lembrando-se da per-
gunta da lagostrosidade, e ambos estremeceram um pouco.
Col observou o tremor e seu sorriso ficou mais largo. Ah, aí está,
afinal, dizia o sorriso. A boa e velha Dança da Fissura. Por um minuto,
fiquei sem saber onde ela estava, Eddie. Os dentes revelados pela nova ex-
pansão do sorriso não representavam nenhum melhoramento com rela-
ção aos anteriormente vistos.
— Por que está me dizendo isso?
— O Sr. Balazar achou melhor garantir que o lugar onde vocês mo-
ram estivesse limpo, cara — disse Jack sem olhar para o lado. Continuava
fixo no mundo à sua frente e alguns julgariam impossível um homem
daqueles ver alguma coisa. — Para o caso de alguém passar por lá.