A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
dizia que era por aí. Continuou mais…
dizia que era por aí. Continuou mais um instante naquela posição, viran-
do o braço direito e trazendo-o para perto dos olhos, procurando marcas
vermelhas indicativas de infecção, de algum veneno avançando com de-terminação para suas entranhas.
A palma da mão exibia um vermelho mortiço. Não era um bom sinal.
Eu toco punheta com a mão esquerda, pensou ele, pelo menos isso já é
alguma coisa.
Então a escuridão tomou conta dele e ele dormiu pelas 16 horas se-
guintes com o som do mar Ocidental batendo sem parar nos seus ouvidos
sonhadores.
Quando o pistoleiro acordou de novo o mar estava escuro, mas havia uma luminosidade fraca no céu nascente. A manhã estava a caminho. Ele se
sentou e quase foi submergido por ondas de vertigem.
Abaixou a cabeça e esperou.
Quando a fraqueza passou, olhou para a mão. Estava mesmo infectada
— filetes vermelhos inchando, tomando conta da palma e subindo pelo pulso. Paravam aí, mas ele já podia ver os primeiros indícios de outras
linhas vermelhas, que acabariam levando ao coração e o matando. Sentia-
se quente, febril.
Preciso de um remédio, pensou. Mas não há remédios aqui.
Será que teria chegado tão longe simplesmente para morrer? Não mor-
reria. E se tivesse mesmo de morrer a despeito de sua determinação, morreria a caminho da Torre.
Como você é incrível, pistoleiro!, dizia o homem de preto rindo dentro
de sua cabeça. Como é indomável! Como é romântico em sua estúpida obsessão!
— Vá se foder — resmungou ele, e bebeu água. Mas não sobrara
muita. Havia todo um mar na sua frente, mas de nada lhe servia; água, água por todo lado, mas nenhuma gota para beber. Não fazia mal.
Afivelou os cinturões, amarrou-os — um processo que levou tanto
tempo que, antes de ser concluído, a primeira fraca luminosidade da auro-
ra já anunciava o verdadeiro início do dia — e tentou se levantar. Só teve
certeza de que ia conseguir quando concluiu a manobra.