A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
Capítulo 7
Depois do tumulto, Eddie e Detta Walker acabaram dormindo de novo
(ela na realidade não pareceu adormecer, mas cair num exausto estado de
inconsciência em sua cadeira, inclinada para um lado contra as cordas que restringiam seus movimentos).
O pistoleiro, contudo, continuou acordado.
Vou ter de trazer as duas para a batalha, pensou ele, mas não
precisava de um dos médicos de cabeça de Eddie para saber que tal
batalha podia ser para a morte. Se a inteligente, Odetta, vencesse a
batalha, sem dúvida a coisa poderia dar certo. Mas se a sombria vencesse, tudo estaria certamente perdido.
Sentiu, no entanto, que o que precisava acontecer não era a morte,
mas a reunião. Já reconhecera alguma coisa que poderia ter valor para ele — para eles — na dura baixaria de Detta Walker e a queria... mas a
queria sob controle. Havia um longo caminho a ser percorrido. Detta
achava que ele e Eddie eram monstros de alguma espécie, que ela chamava Brancos Putos. Isso era apenas perigosa ilusão, mas iam surgir
verdadeiros monstros ao longo do caminho — as lagostrosidades não
eram os primeiros, nem seriam os últimos. A mulher que lutava-até-as-últimas-forças, a mulher que Roland trouxera e que saíra de novo do
esconderijo naquela noite, se pudesse ser temperada pela calma
humanidade de Odetta Holmes, poderia ser muito útil numa luta contra tais monstros... especialmente agora, quando faltavam ao pistoleiro dois
dedos da mão e ele estava quase sem balas e se sentindo cada vez mais febril.
Mas isso está um passo à frente. Acho que se eu puder
estabelecer um conhecimento mútuo entre as duas, elas vão entrar em confronto. Mas como fazer?
Ficou acordado toda a longa noite, pensando, e embora sentisse a
febre que havia nele aumentar, não achou resposta para a sua pergunta.
Eddie acordou pouco antes do raiar do dia. Viu o pistoleiro sentado perto das cinzas da fogueira da noite anterior, o cobertor enrolado em volta do
corpo à maneira dos índios, e juntou-se a ele.