A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Stephen King · Capítulo 108 de 274

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A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

— Ele sempre tomou conta de mim,…

— Ele sempre tomou conta de mim, cara — disse ele, soluçando

tanto que o pistoleiro mal pôde entender o que dizia. — Sempre. Como

não consegui tomar conta dele, pelo menos uma vez, depois de todas as vezes em que ele cuidou de mim?

Cuidou de você, pois é, Roland pensou severamente. Olhe para a sua

figura, sentado aí e tremendo como alguém que comeu uma maçã da árvore da

febre. É, ele tomou muito bem conta de você.

— Temos de ir.

— Ir? — Pela primeira vez uma vaga compreensão desceu sobre o

rosto de Eddie e foi imediatamente seguida pelo início de pânico. — Não

vou a lugar nenhum. Especialmente não para aquele outro lugar, onde aqueles grandes caranguejos, ou seja lá o que for aquilo, comeram o Jack.

Alguém batia com força na porta, gritando que abrissem.

— Quer ficar aqui para explicar todos esses corpos? — perguntou o

pistoleiro.

— Pouco importa — disse Eddie. — Sem Henry, não importa. Nada

importa.

— Talvez não tenha importância para você — disse Roland —, mas

há outras pessoas envolvidas, prisioneiro.

— Não me chame assim!— gritou Eddie. — Vou chamá-lo assim até me provar que pode sair da cela onde se

colocou! — Roland também gritou. Gritar lhe doía a garganta, mas ele gritou

do mesmo jeito. — Solte este pedaço de carne podre e pare de choramingar!

Eddie o encarou, o rosto úmido, os olhos arregalados e assustados.

— É SUA ÚLTIMA CHANCE! — uma voz amplificada disse na

frente de Eddie. Para ele, era estranhamente parecida com a voz de um herói de videogame. CHEGOU O ESQUADRÃO DA S.W.A.T. —

REPITO: CHEGOU O ESQUADRÃO DA S.W.A.T!

— O que me espera do outro lado daquela porta? — perguntou Eddie

em voz baixa ao pistoleiro. — Diga-me. Se me disser, talvez eu vá com

você. Mas vou saber se estiver mentindo.

Provavelmente a morte — disse o pistoleiro. — Mas antes de

encontrá-la, não acho que vá ficar entediado. Quero que se junte a mim numa busca. Tudo, é claro, pode muito bem acabar igualmente em morte... morte para nós quatro num lugar estranho. Mas se conseguirmos

chegar... — Seus olhos brilharam. — Se conseguirmos chegar, Eddie, você verá uma coisa que supera todas as crenças de todos os seus sonhos.

— Que coisa?

— A Torre Negra.

— Onde fica essa Torre?

— Longe da praia onde me encontrou. Mas não sei o quanto esse

longe significa.

— O que ela é?

— Isso também não sei... só sei que talvez seja uma espécie de... de

ferrolho. Um pino central que mantém tudo que existe unido. Tudo que

existe, tudo que é tempo e tudo que é tamanho.

— Você falou em nós quatro. Quem são os outros dois?

— Não os conheço, pois ainda têm de ser escolhidos.

— Como eu fui escolhido. Ou como você gostaria de ter conseguido

me escolher.

— Sim.

No lado de fora houve uma explosão entrecortada, como um tiro de

morteiro. A vidraça da frente do Nossa Torre Inclinada foi estilhaçada. O

bar começou a se encher de nuvens sufocantes de gás lacrimogêneo.

— E então? — perguntou Roland. Ele poderia agarrar Eddie, forçar

o aparecimento da porta pelo contato dos dois e levá-lo à força para o

outro lado. Mas tinha visto Eddie arriscar a vida por ele; tinha visto aquele homem, dominado pelo pavor, se comportar com toda a dignidade de alguém nascido pistoleiro, e isso apesar de Eddie estar sentindo falta da

droga e de ter sido obrigado a lutar nu como no dia em que veio ao mundo; ele queria que Eddie decidisse por si mesmo.

— Buscas, aventuras, torres, mundos a conquistar — disse Eddie,

sorrindo debilmente. Nenhum dos dois se virou quando novas granadas de gás lacrimogêneo voaram pelas janelas e explodiram, assobiando, no chão. As primeiras nuvens ácidas do gás estavam agora se introduzindo no

escritório de Balazar. — Soa melhor que um daqueles livros do Edgar Rice Burroughs sobre Marte que às vezes o Henry costumava ler para mim quando éramos garotos. Você só esqueceu uma coisa.

— O que foi?

— As garotas bonitas de peito de fora.