A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
Capítulo 6
Mais tarde, com estranhas galáxias dançando lentamente pelo céu, ambos pensaram que o ato de amar nunca tinha sido tão doce, tão pleno.
7
Estavam longe quando rompeu o dia. Avançavam depressa e, por volta das nove, Eddie lamentou não ter perguntado a Roland o que deveria fazer se chegassem a um lugar onde os morros cortassem a praia e ainda
não houvesse porta à vista. Parecia uma questão de alguma importância, porque o final da praia estava chegando, não havia dúvida a esse respeito. As colinas se aproximavam cada vez mais, traçando uma diagonal em di-
reção à água.
Na realidade a praia não era mais absolutamente uma praia; o solo
estava agora firme e bastante regular. Alguma coisa — ressacas, ele supôs,
ou aguaceiros em alguma estação chuvosa (não tinha caído nenhuma chu-va desde que ele chegara àquele mundo, nem uma só gota; o céu ficara nublado algumas vezes, mas logo as nuvens se dissipavam) — tornara lisa
a maioria das saliências de rocha.
— Pare, Eddie! — gritou Odetta às nove e meia. — Pare! Ele parou tão bruscamente que ela teve de agarrar os braços da cadeira
para não ser jogada longe. Num segundo, Eddie estava na frente dela.
— Desculpe — disse. — Você está bem?
— Ótima. — Ele viu que tinha confundido entusiasmo com aflição.
Ela apontou. — Lá embaixo! Percebe alguma coisa?
Eddie protegeu os olhos com as mãos, mas não viu nada. Estreitou os
olhos. Por um breve momento pensou que... não, certamente eram só as ondas de calor se erguendo do solo compacto.
— Acho que não há nada — disse ele sorrindo. — Só o seu desejo de
que tenha alguma coisa.
— Acho que tem mesmo! — Ela virou o rosto vibrante, sorridente.
— Ali sozinha, isolada! Perto do final da praia.
— Eddie olhou de novo, dessa vez estreitando a visão com tanta
força que os olhos se encheram de água. Por um momento acreditou que estava vendo alguma coisa, depois achou que não. Foi isso, pensou e
sorriu. Ela viu a imagem do seu desejo.
— Quem sabe não tem... — disse ele, não porque acreditasse, mas
porque ela acreditava.
— Vamos!
Eddie foi de novo para trás da cadeira, demorando um momento
para massagear os rins, onde uma dorzinha firme tinha se instalado. Ela olhou para trás.
— O que está esperando? — Você realmente acha que viu alguma coisa, não foi?
— Sim!
— Bem, então vamos!
Eddie começou de novo a empurrar.