A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
Improviso. Essa era a palavra.
Quando saltou, o pistoleiro viu um carro azul-e-branco estacionado
na quadra e, sem checar o estoque de conhecimento de Mort, leu Posse em vez de Polícia. Dentro do veículo dois pistoleiros bebendo alguma coisa
— talvez café — em copos de papel branco. Pistoleiros, sim... mas pareciam gordos e molengas.
Estendeu a mão para a carteira de Jack Mort (só que era muito pe-
quena para ser uma carteira de verdade, uma carteira de verdade era quase tão grande quanto uma bolsa e podia carregar todas as coisas de um ho-
mem, desde que a viagem não fosse longa) e deu ao motorista uma nota
com o número 20 marcado. O motorista deu logo a partida. Era sem dúvida a maior gorjeta que recebera naquele dia, mas o sujeito parecia tão
esquisito que achou merecido cada centavo daquele dinheiro.
O pistoleiro observou a placa sobre a loja.
CLEMENTS ARMAS E ARTIGOS ESPORTIVOS, dizia. MUNI-
ÇÃO, EQUIPAMENTO DE PESCA, XEROX AUTENTICADA.
Não entendeu todas as palavras, mas uma olhada na vitrine bastou
para ele perceber que Mort o levara ao lugar certo. Viu joelheiras, insígnias
militares... e armas. Principalmente rifles, mas também pistolas. Estavam
presas por correntes, mas não fazia mal.
Saberia qual ia lhe servir quando... se... a visse.
Roland consultou a mente de Jack Mort (uma mente sem dúvida
suficientemente astuta para se adequar aos seus propósitos) por mais de um minuto.
Um dos policiais no veículo azul-e-branco cutucou o outro com o cotovelo.
— Isso é que é — disse ele — pensar com seriedade antes de comprar.
O parceiro riu.
— Ui, Santa — disse ele num tom afeminado enquanto o homem de
terno e óculos de aro dourado concluía seu exame da mercadoria em exibi-ção e entrava na loja. — Acho que o cara decidiu comprar as algemas rosas.