A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
mais uns seis ou sete centímetros e…
mais uns seis ou sete centímetros e quase tornou a se cortar quando ouviu McDonald falando cora os agentes aduaneiros: "Tudo bem, agora parem
onde estão."
— Se continuar, acho que vou cortar metade do meu corpo. Por que
você não tenta? — disse Eddie. — Não consigo ver o que estou fazendo. A
merda do queixo fica atrapalhando.
O pistoleiro pegou a faca com a mão esquerda. A mão estava tremen-
do. Observar aquela lâmina, amolada de forma suicida, oscilando daquele jeito, deixava Eddie extremamente nervoso.
— Talvez eu mesmo devesse...
— Espere.
O pistoleiro olhava atentamente para sua mão esquerda. Eddie não
chegava exatamente a duvidar da telepatia, mas também nunca chegara
exatamente a acreditar nela. Mesmo assim, sentiu alguma coisa naquele
momento, algo real e palpável como o calor saindo de um forno. Após
alguns segundos, percebeu o que era: a concentração da força de vontade
daquele estranho homem.
Como ele pode estar morrendo se consigo sentir tão intensamente a sua
força?
A mão que tremia começou a se firmar. Daí a pouco não trepida-
va mais. Depois de no máximo uns dez segundos, ficara firme como
rocha.
— Agora — disse o pistoleiro. Deu um passo à frente, ergueu a faca
e Eddie sentiu mais alguma coisa saindo dele: uma espécie de febre.
— Você é canhoto? — perguntou Eddie.
— Não — disse o pistoleiro.
— Ai, meu Deus — disse Eddie, e achou que talvez se sentisse
melhor fechando um instante os olhos. Ouviu o áspero sussurro da fita
adesiva se rasgando.
— Pronto — disse o pistoleiro, recuando. — Agora puxe o mais
rápido que puder. Vou ajudá-lo nas costas.
Não mais batidinhas educadas na porta do banheiro; agora um pu-
nho martelava. Os passageiros saíram, pensou Eddie. Era o fim das gentile-
zas. Ah, merda.
— Saia daí, meu amigo! Estou lhe pedindo!