A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
Os olhos de aço dos dois se…
Os olhos de aço dos dois se esbarraram e faíscas saltaram. — Eu já voei setenta, oitenta vezes com você, Mc — disse Susy. —
Estou tentando ser sua amiga.
McDonald contemplou-a por mais um instante e aquiesceu. — Fiquem, então. Mas quero que as duas fiquem um passo atrás,
perto da cabine.
Ele se empinou, olhou para trás e viu o final da fila emergindo da
classe turista para a executiva. Dois minutos, talvez três.
Virou-se para o agente de desembarque na entrada da passarela, que
os observava com atenção. O homem devia ter percebido que havia algum
problema, pois tirara do cinto o radiotransmissor e o conservava na mão.
— Diga a ele que quero agentes da alfândega aqui — disse McDonald
em voz baixa para o navegador. — Três ou quatro. Armados. Agora.
O navegador abriu caminho pela fila de passageiros, desculpando-se
com um sorriso simpático, e conversou em voz baixa com o agente de
desembarque. O homem levou o rádio à boca e transmitiu o pedido.
McDonald — que nunca na vida pusera nada mais forte que aspirina
no sistema nervoso, e mesmo assim só raramente — virou-se para Deere.
Seus lábios apertados formavam uma fina linha branca, como uma cicatriz.
— Assim que o último passageiro saltar, vamos arrombar a merda
desta porta — disse ele. — Não me interessa se os agentes da alfândega
estão aqui ou não. Entendeu?
— Perfeitamente — disse Deere, observando o final da fila avançar
para a primeira classe.
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— Pegue minha faca — disse o pistoleiro. — Está na bolsa.
Ele gesticulou para uma bolsa de couro lascada pousada na areia.
Parecia mais uma grande mochila que uma bolsa, o tipo de coisa que você
espera que os hippies carreguem em sua viagem pela Trilha dos Apalaches,
embriagando-se de natureza (e talvez, de vez em quando, de um enorme
baseado). Aquilo, porém, parecia de verdade, não o acessório de alguma
auto-imagem de eterno forasteiro, mas algo que suportara anos a fio de
dura — talvez desesperada — viagem.